Da mesma forma que no RJ os carnavalescos podem trazer para a Sapucaí uma grande águia a movimentar suas asas, abrir eu bico, por que o Galo do Recife não pode mostrar a sua grandiosidade , lançando os sons de seu canto que serão levados pelo Capibaribe para o oceano, para o mundo? Um Galo com “pernambucanidade”, exibindo a raça dos “bravos guerreiros”, que podem estufar o peito e cantar “Pernambuco, imortal, imortal.”
Se um “rebolation”, pobre de sonoridade, pode permitir o remelexo e o rebolamento, se as escolas de samba mantêm o “samba no pé” e se os cariocas fazem ressurgir as “bandas de bairro”, renascendo o autêntico e simples Carnaval do RJ, com suas marchinhas e suas fantasias, o pernambucano tem muito mais do que isso: tem a multiplicidade de seus ritmos, tem a alegria de seu povo a mostrar nas ruas, só ele pode apresentar um maestro Forró com sua orquestra, que bem poderia sair nos dias de Carnaval arrastando pelas ruas a multidão na “onda” do frevo. O “Escuta Levino”, que se apresenta na quinta-feira da semana pré-carnavalesca é um bom exemplo. Dêem força ao frevo e ao passo. Bom ser lida uma pequena-grande nota da Folha de Pernambuco, edição de 18 deste mês: querem ofuscar o que é nosso, “matar o genuíno frevo pernambucano apenas para atender a interesses comerciais e políticos.”
Deixem o povo “frevar” e fazer o passo livre, solto, de cada um, e não com passos harmônicos de uma escola de samba. Não precisamos importar nada. Temos já uma multiplicidade de cores, de tons e de sons, temos cantores e compositores que trazem o frevo no sangue. Temos novas orquestras e maestros, temos jovens bonitas e alegres trazendo o batuque do maracatu, temos a individualidade de cada com suas fantasias, a irreverência sadia, temos grupos familiares fantasiados pelas ruas. Nada de ficar em frente a grande palco para exibições de artistas de fora. Deixa pra lá.
Flabelo pronto para as evoluções, orquestra e coral, o primeiro frevo de bloco, o seu próprio hino: “E o Bloco da Saudade assim recorda tudo o que passou.” E vem um dos momentos mais emocionantes: o ingresso na Rua da Imperatriz. Indescritível: “Vou relembrar o passado, do meu Carnaval de fervor...Na Rua da Imperatriz, eu era muito feliz, vendo os Blocos desfilar...”. E depois, “ Nós somos madeira, de lei que cupim não rói.” Ao final da rua, na subida da Ponte, “até o rio parou de correr.... só para ver meu bloco de recordações.” E assim segue o alegre Bloco da Saudade até o bairro do Recife, a mostrar que “O Recife tem, o Carnaval melhor do meu Brasil.”
O que trás imensa alegria é, no dia seguinte, ver toda a casa vestida de Carnaval: “escapulários” na sala, chapéus na mesa, adereços nos quartos. No terraço, gola e cabeleira de maracatu, um chapéu de couro igual ao de um cangaceiro. Como se estivessem todos a dizer: não fique triste, para o ano tem mais...
















