NAS AULAS DOS GUERREIROS A GRANDE ESTRELA É O FREVO!

Veja algumas imagens e tire suas próprias conclusões.

UNIÃO ENTRE PASSISTAS, É POSSÍVEL?

OPINIÃO. Fala-se muito da necessidade de ver um dia a tão esperada união entre os passistas de frevo.

A FORÇA DA CAMISA AZUL

Nas aulas do Projeto Frevo na Praça, já foi possível observar que os professores dos Guerreiros do Passo, utilizam nos seus encontros semanais no bairro do Hipódromo...

MAX LEVAY REGISTRA OS GUERREIROS DO PASSO

O pernambucano Max Levay, profissional de reconhecido talento da arte da fotografia, fez um bonito registro dos Guerreiros do Passo no último mês de março. O artista produziu...

FOCO NO APRENDIZADO

Hoje em dia a busca por um melhor condicionamento na arte desenvolvida pelos famosos passistas de frevo, tem levado alguns praticantes a sair por ai pulando de aula em aula...

News - Guerreiros pretendem retornar às atividades abertas ao público ainda este ano/ Este site vai entrar em manutenção.

O frevo como dança, o frevo como música

Por Renato Phaelante*
Como vimos anteriormente, o Capoeira teria dado origem ao passo. Esses capoeiras por muitos anos mantiveram-se à frente dos desfiles acompanhando as bandas de músicas do Recife. Saísse um clube ou uma charanga e lá estavam eles, gingando, pisoteando, manobrando os cacetes, exibindo navalhas e fazendo passos complicados.

São unânimes os pesquisadores quanto à afirmativa da influência desses capoeiras, embora o desenvolvimento do que veio a se constituir o passo, no dizer oportuno do Mestre Câmara Cascudo defina suas características evolutivas: No mar do frevo, cada peixinho nada no seu jeito; e acrescenta: No passo, cada bailarino executa a ad libitum reação mímica da interpretação pessoal . Mímica determinante de aplicadas, inesperadas, piruetas famosas, na sombra simbólica, das sombrinhas borboletas.

Concluiu-se, então que, para fazer o passo não adianta utilizar-se de técnicas de naturalidade, basta que se viva, na prática, o Carnaval Pernambucano. Existem muitos programas de Escolas de Frevo espalhadas pelo Estado, alimentando a estética formal desse passo, por passistas que entre outros se tornaram famosos com o passar dos anos. Entre eles estão Egídio Bezerra que ficou conhecido como o Rei do Passo; Sete Molas, Nascimento do Passo, cujo verdadeiro nome é Francisco Nascimento Filho e Coruja, que possuía o nome de batismo de Francisco das Neves.

No que diz respeito ao frevo como música, tem-se a informação de que ele sofreu a influência da Modinha, da Polca, do Maxixe, do Galope, da Quadrilha, dos Dobrados. Surgiu, no início do século XX, depois das Fanfarras, a famosa Marcha Pernambucana que por sua vez, daria origem ao Frevo. Foi tomando espaço evidente no Carnaval de Rua, de modo que cada Clube passou a possuir seu próprio repertório.

Dois bons exemplos de marchas de clube que deram início a esse caminho do Frevo foram A Província, marcha do Clube Lenhadores composta por Juvenal Brasil em 1905 e a Marcha Gonçalves Maia, de Zeferino Bandeira, final do século XIX feita para o Clube das Pás.

Segundo o jornalista Mário Mello (1884-1959), o frevo veio do início do século, e o seu batismo, a imposição do nome, se deu anos depois. Uma marcha de introdução em estilo de polca-marcha com parte lenta para o canto, puxava os cordões dos grandes clubes, pelas ruas centrais do velho Recife. É ainda Mário Melo quem afirma: Quando um clube com seus milhares de acompanhantes penetrava na Ponte da Boa Vista, se comprimiam e eram levados de roldão. Findo o canto e, voltando à Fanfarra, à Introdução, entravam numa espécie de dança com trejeitos de capoeiras, sem uniformidade nos passos.

Por essa época, surgiu uma composição do maestro Zuzinha – José Lourenço da Silva – modificando a primeira parte, mais precisamente a introdução, além de incluir floreios instrumentais, que dava ao passista margem a improvisos e nova criatividade nos passos já existentes da dança. Era a hora do que vieram a denominar de Frevo, que Mário Melo intitulou de Divisor de Águas e proclamou, assim, Zuzinha, o Pai do Frevo.

O mesmo Mário Mello acrescentou em outro artigo: Quando a Banda de Música ou de Fanfarra rompia uma autêntica Marcha Pernambucana, impossível alguém resistir. Todos dançam, pulam, saracoteiam. A quem de plano elevado, vê aquela vida humana em ebulição, a idéia que lhe ocorre é de grande depósito líquido em fervura. O verbo na boca do povo é Frever. Seus derivados são: Frevura, Frevor e Frevo.

Nasceram, então, a marcha pernambucana, a marcha canção, finalmente a polca-frevo e a marcha-frevo. Era o Frevo, incorporando-se como ritmo às novas criações. Um exemplo da marcha pernambucana é a Canalha da Rua, de Valdemar de Oliveira sob o pseudônimo de José Capibaribe.

O maestro Edson Rodrigues, em comentário sobre o frevo, identifica três modalidades de frevos de rua: o frevo de Encontro, onde predominam os metais, sendo chamado, popularmente, de Abafo. O frevo Coqueiro, com notas agudas, evidenciando-se pela altura do pentagrama. O frevo Ventania, onde predominam as palhetas, sendo composto, em grande parte de semicolcheias.

Quando o frevo de rua adentrou os salões, surgiu mais uma classificação, o chamado frevo de Salão, uma mistura dos demais, feito por novos compositores no advento e incremento do carnaval de salão.

Segundo ainda o maestro Edson Rodrigues o frevo de Encontro ou Abafo, nasceu, como diz o nome, do tradicional encontro dos Clubes, hoje não muito comuns. Um exemplo desse frevo é o Fogão, de Sérgio Lisboa. E continua ele, referindo-se a esta modalidade do frevo: é muito alto para os trombones e pistões e sua execução depende da força no sopro dos músicos. A variante do frevo Abafo, o Coqueiro, tem introdução feita à base de notas curtas. Um exemplo disso é o frevo Toca Quem Pode, de Jonnes Johnson, de 1958. O frevo Ventania, mais ameno que os citados, exige grande habilidade dos executantes. É melhor utilizado por orquestras em lugares fechados (salões de clubes). E, um exemplo desse tipo é o frevo do maestro Duda: Nino, o Pernambuquinho.

De Leonardo Dantas a respeito do Frevo como música apreendemos que nos anos 30, com a popularização do ritmo pelas gravações em disco e sua transmissão pelos programas do rádio, convencionou-se dividir o frevo em frevo-de-rua (quando puramente instrumental), frevo-canção, (este, derivado da ária tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua) e o frevo-de-blocos. Este último executado por orquestra de madeiras e cordas (pau e cordas, como são popularmente conhecidas), é chamado pelos compositores mais tradicionais tal Edgar Moraes (1904-1973), de marcha-de-bloco (Edgard Moraes, 1904-1973), tornando-se uma característica dos Blocos Carnavalescos Mistos do Recife. Para a sua execução é utilizado um coro de vozes femininas, que se faz acompanhar de uma orquestra formada por violões, violinos, cavaquinhos, banjos, clarinetes, contrabaixos, percussão; aparecendo nos dias atuais alguns metais (tubas, saxofones, bombardino e trompetes), indispensáveis no acompanhamento do coro, em face da necessidade de se fazer ouvir à distância.

No frevo-de-bloco, ainda segundo Leonardo, está a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano, diante do misto de saudade e evocação contidas nas letras e nas melodias de grande parte de suas estrofes. Como Evocação (1957), de Nelson Ferreira (1902-1976):

Felinto, Pedro Salgado,

Guilherme Fenelon

Cadê teus blocos famosos?

Bloco das Flores, Andaluza,

Pirilampos, Apôs-fum

Dos carnavais saudosos.

Ou como A Dor de uma Saudade, de Edgard Moraes, para o carnaval de 1961, feito em homenagem ao seu irmão Raul Moraes, falecido em 1937:

A dor de uma saudade

Vive sempre em meu coração

Ao relembrar alguém que partiu

Deixando uma recordação

Nunca mais...

Hão de voltar os tempos,

Felizes que passei em outros carnavais

Como o frevo-de-bloco, o frevo-canção possui, também, uma letra que vem logo em seguida à introdução orquestral, geralmente com dezesseis compassos. Tão velho quanto o frevo-de-rua como já vimos anteriormente, o frevo-canção é responsável pela grande animação dos salões e das multidões que acompanham as Freviocas durante os quatro, cinco e até dez dias de carnaval. Os motivos das suas letras são os mais diversos, inclusive a própria animação do frevo, como bem afirmaram Luiz Bandeira e Ernani Séve:

Êta frevo, bom danado!

Êta povo, animado!

Quando o frevo começa,

Parece que o mundo já vai se acabar,

Éh! Quem cai no passo não quer mais parar.

Muito embora o frevo-de-rua seja uma constante em todos os salões durante os dias de carnaval, foi feito inicialmente para ser executado a céu aberto. Na rua, como a sua denominação está a exigir. Sua base melódica é responsável pela coreografia do passo e pela movimentação das multidões não só do Recife, como de Olinda e de outras cidades pernambucanas.

Renato Phaelante pesquisador de MPB.

PESQUISA

Clique nos títulos abaixo para ter acesso aos textos do pesquisador Renato Phaelante da Câmara. ATENÇÃO: Ao utilizar algum trecho dos arquivos, mencione o autor e o endereço deste site.


Frevos famosos - Grandes compositores de frevo

Por Renato Phaelante*
1. VASSOURINHAS – de Matias da Rocha e Joana Batista Ramos.
Este frevo foi composto, segundo o pesquisador Evandro Rabelo, no dia 06 de janeiro de1909, no bairro de Beberibe, em um mocambo que ficava em frente à estação do Porto da Madeira.

OBSERVAÇÃO: Joana Batista, um dos autores do frevo, afirmou em depoimento, que teria a melodia sido composta pelo Matias da Rocha, à época, designado como maestro. A primeira gravação de Vassourinhas foi realizada em 1956, em selo Mocambo, com as famosas variações do músico Félix Linz de Albuquerque – o Felinho. Já a gravação feita nos anos 40, pelo radialista carioca, Almirante, omite o nome dos autores deste frevo.

2. FOGÃO – do músico e pintor de afrescos Sérgio Lisboa.

Lançado em forma de partituras, na década de 30, somente foi divulgado em disco, em caráter nacional, a partir de sua primeira gravação, em junho de 1950, pela RCA Victor, interpretado por Zacarias e sua Orquestra. Esse compositor tornou-se famoso em todo o Brasil,com esse único frevo.

3. CANHÃO 75 – de Nino Galvão;

Este frevo foi gravado pela primeira vez em junho de 1951.

4. ÚLTIMO DIA – de Levino Ferreira.

O autor deste frevo foi um dos mais versáteis e competente músico. Ele teve a sua primeira gravação em 1959, pela Continental com a orquestra de Severino Araújo. Uma série de frevos famosos qualificam a produção de Levino Ferreira, como, por exemplo, A Cobra está Fumando, Diabo Solto, Retalhos de Saudade, entre tantos outros.

5. GOSTOSÃO – do Maestro Nelson Ferreira.

Também ele, entre os mais versáteis e talentosos compositores, tornou-se ainda mais famoso por ter reformado, com seus arranjos, técnica melódica arrojada e as novas idéias que impôs às suas composições, o frevo, tornando-os célebre . Assim é o caso, dos frevos Come e Dorme, Frevo no Bairro do Recife, Gostosinho, Casá Casá, entre tantos outros. Gostosão, um dos mais importantes, foi gravado pela primeira vez em outubro de 1950, pela RCA Victor.

6. FREIO A ÓLEO – do maestro José Xavier de Menezes.

A orquestra de frevo do maestro José Xavier de Menezes animou durante anos seguidos o Carnaval de Clubes do Recife. Freio a Óleo, foi gravado pela primeira vez em outubro de 1950, através da RCA Victor.

7. TRÊS DA TARDE – de Lídio Francisco – o Lídio Macacão.

O compositor não se distinguiu pela quantidade de frevos que produziu, mas principalmente pela qualidade esmerada de cada um deles. O Três da Tarde, conhecido frevo coqueiro, uma variante do frevo de abafo, obriga o músico a uma execução mais viril. Este frevo foi gravado pela primeira vez em julho de 1950, pela Rca Victor.

Muitos foram os frevos de rua que tiveram destaque efetivo desde o final dos anos 40 até a atualidade. Só para citar alguns deles, se pode destacar:

- Capital do Frevo, de Toscano Filho;

- Porta Bandeira, de Nelson Ferreira;

- Perguntas e Respostas, de Zumba;

- Recordando a Tabajara, de Edson Rodrigues;

- Faca Cega, de José Bartolomeu;

- Satanaz na Onda, de Levino Ferreira;

- Capenga, de Eugênio Fabrício;

- Teleguiado, de Toscano Filho.

Destacam-se, também, os frevos de Lourival Oliveira, todos com nomes de cangaceiros: Lampião, Volta Seca, Maria Bonita, Ponto Fino, Cocada, Sabino, Corisco, Ventania, Zabelê.

ALGUNS DOS MAIS FAMOSOS FREVOS DE BLOCO
Mesmo que o frevo de bloco só tenha vindo a ser conhecido no Brasil, a partir de 1957, com o frevo de bloco de Nelson Ferreira, intitulado, Evocação, há que se reconhecer que entre os maiores compositores de frevo de bloco, estão Os Irmãos Moraes – Raul e Edgar. Suas composições foram e são, ainda, as mais cantadas hoje em dia. No Recife, a música de Edgar e Raul, já era famosa desde os anos 30. Mesmo após a morte Do irmão Raul, Edgar continuou compondo dentro da mesma linha que caracterizava os dois. Foi assim que surgiu, por exemplo, Valores do Passado, em 1962, de Edgar Moraes, uma das composições que marca a história deste ritmo pernambucano, resgatando, em sua letra, 24 blocos que já desapareceram do Carnaval do Recife. Observe-se a letra:

“Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes,
Camponeses, Apôs Fum e o bloco Um dia Só.
Os Corações Futuristas, Bobos em Folia
Pirilampos de Tejipió!
A Flor de Magnólia, Lira do Charmion, Sem Rival,
Jacarandá, a Madeira da Fé, Crisântemo,
Se Tem Bote e Um dia de Carnaval.
Pavão Dourado, Camêlo de Ouro e Bebé,
Os queridos Batutas da Boa Vista
E os Turunas de São José.
Príncipe dos Príncipes, brilhou,
Lira da Noite , também brilhou
E o Bloco da Saudade
Assim recorda
Tudo o que passou.”
Renato Phaelante da Câmara
Pesquisador da MPB

A origem da palavra frevo - Introdução à sua história social

Por Renato Phaelante*
No Carnaval de 1900, cerca de 100 agremiações desfilaram no Carnaval do Recife, segundo o jornalista Severino Barbosa. A essa altura, era grande a frevança, o frevedouro estava prestes a ser batizado.

Era o frevo já presente nas ruas do Recife, cristalizando-se no compasso binário das marchas carnavalescas de então, trazendo de arrastão a onda efervescente e o improviso de foliões em complicados passos, germinando o que seria o Frevo dança e o Frevo música.

O pesquisador Evandro Rabelo afirmou em artigo, que em 9 de fevereiro de 1907, o Clube Empalhadores do Feitosa, noticiara no Jornal Pequeno o seu ensaio geral, publicando também o repertório de marchas carnavalescas com os seguintes títulos: Amorosa, O Sol, O Frevo, entre outras. Isso veio comprovar o que dizem os estudiosos a respeito do vocábulo Frevo, afirmando já estar ele presente em meio aos clubes carnavalescos.

O jornalista Osvaldo Almeida que se assinava no Jornal Pequeno sob o pseudônimo de Paula Judeu e Pierrot, a palavra Frevo teria sido inventada por ele próprio e lançada em sua coluna em 12 de fevereiro, do Carnaval de 1908. Afirma ele que, logo depois, caiu no gosto popular e foi pelo povo adotada.

Em 22 de fevereiro do ano seguinte, o mesmo Jornal Pequeno traz em sua primeira página uma gravura de autor desconhecido com a frase: Olha o Frevo!, a qual se tornou uma exclamação de entusiasmo na boca do povo e essa motivação expressiva permanece até os dias atuais.

Ao que se refere ao surgimento do Frevo, enquanto música e dança, o jornalista Rui Duarte tem algumas opiniões sugestivas e lúcidas sobre o seu surgimento na história do Carnaval pernambucano. No seu livro História Social do Frevo, Rui Duarte afirma: O frevo surgiu espontaneamente, sem qualquer semelhança com as outras músicas e danças brasileiras. Ele afirma, ainda, que o frevo não é dança dramática, não é folk-music, não tem parentesco com pretos, índios ou portugueses.

Cabe a nós o questionamento, como surgiu, então, o frevo?

Em meados do Século XIX, com a proibição do Entrudo, remanescente da folia portuguesa, o Brasil parecia ter perdido sua festa máxima. Em 1855, carnavalescos de todo o Brasil, interessados na manutenção daquela manifestação, promoveram o que veio a se chamar Congresso das Sumidades Carnavalescas. Dois anos depois, após várias sessões, de discussão sobre idéias divergentes, de teses inflamadas e de acurados trabalhos, chegou-se à conclusão de que o Carnaval brasileiro teria as características do carnaval europeu, que vinha dando certo e que não haveria contra-indicação para o seu transplante.

Todos os Estados aderiram ao novo Carnaval, menos um, tornando-se assim, exceção à regra, Pernambuco, que na ocasião, iniciava um movimento de rebeldia à proibição do Governo local quanto à saída de alguns desordeiros, como eram chamados os capoeiras, que costumavam desfilar à frente das bandas militares aquarteladas na Cidade do Recife, denominadas O Quarto e Espanha, do corpo da guarda nacional que tinha como mestre o espanhol Pedro Garrido.

O desfile desse pessoal era feito em moldes de verdadeiro delírio, pulando, gingando, jogando capoeira, armados de cacetes e aos gritos, desafiando adversários para a luta. Isso aconteceu tanto de um lado quanto do outro, gerando uma competição violenta e engalfinhamento dos dois grupos adeptos de uma, e de outra banda musical.

Um outro depoimento importante, o do historiador Pereira da Costa no seu livro Folk-lore pernambucano, quando ele comenta: O nosso capoeira é antes, o moleque de frente de música em marcha, armado de cacete e a desafiar os do partido contrário que, aos vivas de uns, e aos morras de outros, rompe em hostilidade e trava lutas de que, não raro, resultam em ferimentos e até mesmo em casos fatais.

Essa rivalidade, segundo Valdemar de Oliveira, sempre foi comum entre as bandas de música, embora não ostensivamente, entre as de corporações militares e, sim, entre conjuntos musicais pertencentes às sociedades privadas. As competições se acirravam já às vésperas do carnaval e, inclusive nas retretas, em cidades do interior do Estado, como Goiana, Nazaré da Mata, Paudalho, Vitória de Santo Antão, entre outras.

A maioria desses conjuntos musicais, possuindo vinte a trinta trombones cada, no momento de encontro com clube rival, abafavam pelo bocal, porque é a força do bocal, bem adaptada aos lábios, que o instrumentista consegue arrancar os agudos que dele exigem as partituras, de acordo com Valdemar de Oliveira, o qual continua afirmando que com tal volume de som o clube era ouvido de longe pelo público, que se motivava a participar daquela verdadeira contenda.

A capoeiragem era o complemento da banda, sua marca de autenticidade. Coisa de macho, mulher não acompanhava, salvo alguma mulher-dama que respeitada se pusesse de parte para apreciar as proezas do seu "chereta".

A confusão era o ponto alto do desfile. A música tocando, o pau cantando e o frevedouro estourando. No Recife os valentões se multiplicavam pelas tradições de bravura e de ousadia. Capoeiras como "Canhoto", "Pé de Pilão", "Bode-Iôiô", "Manuel da Jacinta", "Nicolau do Poço", "Bentinho do Lucas", "Jovino dos Coelhos", "Nascimento Grande", "Amaro Preto", "Apolônio da Capunga" entre outros lembrados pelo escritor e jornalista Oscar Melo, em seu livro Recife Sangrento.

Durante anos seguidos, até o começo do Século XX, esses e outros capoeiras, pularam na frente das bandas, inclusive nas particulares, como a "Matias Lima", a "Charanga do Recife" e a "Afogadense". Era o primeiro grande sinal do que viria a ser o passo.

Por essa época o Recife era foco de agitação política. O Estado se transforma em centro de rebeldia, pregando o nacionalismo, a expulsão de portugueses, pregando a República e a libertação dos escravos. Por conta disso, vários pernambucanos foram presos e fuzilados e o território pertencente a Pernambuco, foi mutilado e quase a metade foi entregue à Bahia como castigo por esses levantes contra o Império. Apesar disso tudo, Pernambuco recebeu o nome de Leão do Norte.

Tudo isso foi assimilado pelo povo. Tudo no Recife era reação, a cidade vivia cheia de valentões, cabras a soldo de políticos dominantes, capoeiras perambulando pelas ruas à cata de brigas, perseguindo portugueses considerados senhores de tudo. E, os melhores instantes para esse desabafo, era quando faziam os engalfinhamentos dos bandos rivais de capoeiras nas refregas competitivas do encontro das bandas musicais dos clubes pedestres. Seriam esses capoeiras que teriam dado origem ao frevo, enquanto dança, (o passo).

Se o Capoeira, sem dúvida, deu origem à dança – o passo, as fontes do frevo teriam sido a quadrilha, o maxixe, a polca e o dobrado. Alguns descendentes do frevo trazem no seu contexto esta afirmativa, como, por exemplo, a Marcha nº 1 do Clube Lenhadores, escrita em 1903 por Juvenal Brasil; o frevo Canhão 75, de Faustino Galvão; o frevo Chegou Fervendo, de Zumba e, mais recentemente, o frevo Come e Dorme, de Nelson Ferreira, um renovador constante da melódica do frevo.

Não se sabe, na realidade, se o frevo surgiu primeiro como dança ou como música. É ainda Valdemar de Oliveira quem afirma: Creio que não há no mundo um binário tão sacudido, tão pessoal, tão típico como o frevo, nem dança tão estranha e tão expressiva pelos seus modos e conchamblâncias, como o passo.

Renato Phaelante da Câmara
Pesquisador da MPB

Imagens do grupo Guerreiros do Passo no FIG 2011

Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) recebeu neste dia 17 de julho de 2011, o grupo Guerreiros do Passo, que apresentou o seu conhecido experimento O Frevo no palco móvel Caminhão de Cultura, iniciativa que percorre alguns bairros da cidade com apresentações culturais diversificadas. Apesar da muita chuva que caiu no Parque Fenix, não houve desânimo, e quem pôde assistir a evolução do frevo proposta pelo grupo, contagiou-se com os dançarinos que viajaram 235 km para serem muito bem recebidos pelo bonito e aconchegante município do agreste pernambucano. Também vale registrar que a produção do Festival prestou um excelente serviço, e toda a equipe deu o apoio necessário para tornar bastante agradável os momentos em que os Guerreiros permaneceram no local. O grupo expressa o mais profundo agradecimento aos responsáveis pelo Festival, especialmente à Fundarpe.
As fotos são de Jaqueline Maia, disponíveis no site Flickr.

Guerreiros do Passo no Festival de Inverno de Garanhuns

Guerreiros do Passo são convidados para participar da programação oficial do 21º Festival de Inverno de Garanhuns, a ser realizado de 14 a 23 de julho de 2011 no Agreste Meridional de Pernambuco.
O grupo recebeu o convite da organização do Festival para apresentar o seu experimento O FREVO, num projeto que será realizado pela primeira vez no local: o “Caminhão de Cultura”, palco móvel que percorrerá alguns bairros da cidade com apresentações musicais, artes cênicas, cultura popular e literatura. A novidade se integrará as outras atrações do Festival, que este ano presta uma homenagem ao músico e artista plástico Lula Côrtes, falecido em março deste ano.
Os dançarinos farão sua apresentação no domingo, dia 17 de julho, às 10:30hs da manhã, no Parque Fenix (AJOC), local previsto no roteiro da programação do Caminhão. Na ocasião, os Guerreiros terão a participação pela primeira vez, no experimento, do passista Alex pontes, integrante do projeto desenvolvido pelo grupo na Praça do Hipódromo e do contra-mestre de capoeira Walter josé.
No total de 12 dançarinos, os Guerreiros estão ensaiando especialmente para o evento, e prometem algumas inserções que só poderão ser vistos específicamente no dia da exibição.
Experimento O Frevo

Distante 235 kilômetros do Recife, Garanhuns e sua festa estão se consolidando no cenário nacional como um dos festivais de inverno mais concorridos e prestigiados, com uma programação cultural repleta de artistas do estado e de todo o Brasil. Segundo a Prefeitura, espera-se mais de um milhão de pessoas circulando pela cidade e o Governo do Estado está investindo mais de 14 milhões de reais no evento.




Confira a programação completa do Caminhão de Cultura aqui.

Guerreiros do Passo anuncia novo instrutor

GRUPO DIVULGA O NOME DO INTEGRANTE QUE FOI PROMOVIDO PARA REFORÇAR O PROJETO FREVO NA PRAÇA
As oficinas realizadas pelos Guerreiros do Passo no bairro do Hipódromo, terão um reforço a mais neste segundo semestre de 2011. Um novo instrutor foi escolhido para comandar as aulas e oficinas na Praça Tertuliano Feitosa, na zona norte do Recife.
O projeto Frevo na Praça, que em setembro de 2011 completará seis anos, receberá agora a colaboração do professor Ricardo Napoleão Gonçalves Cunha. Além de um autêntico folião do nosso carnaval, Ricardo é uma das figuras mais estimadas e queridas entre os amigos, e, desde o inicio de 2006, participa ativamente do Projeto desenvolvido pelos Guerreiros na Praça do Hipódromo.
Formado em Educação Física, este amante do passo recifense iniciou sua trajetória profissional na dança pernambucana na Escola Municipal de Frevo, em 2004, onde recebeu ensinamentos de diferentes professores. Ricardo revela que foi na própria Escola onde ficou sabendo dos Guerreiros do Passo, e depois de um período desestimulado na mesma, passou a fazer parte das aulas do grupo na Praça.

Dali em diante, dedicou-se nas atividades, aprimorou seus movimentos, e de acordo com sua grande capacidade, recebeu o convite para integrar o quadro especial de apresentações, tendo grande destaque nas exibições, o que ajudou a ratificar ainda mais sua presença na instituição. Incluído entre os melhores passistas da atualidade, Ricardo já tomou parte de alguns concursos de passistas, sendo agraciado com boas colocações.
Pode-se dizer que este dançarino é um destemido por excelência, e seus relevantes serviços prestados aos Guerreiros do Passo, já o credenciavam há algum tempo para assumir esta função no projeto.
Segundo Lucélia Albuquerque, professora e fundadora do grupo: Ricardo é um dos maiores valores dos Guerreiros, e já vinha demonstrando excelente desenvoltura, além de considerável habilidade e disposição para ministrar aulas.
Depois de uma reunião, e de ter feito uma consulta pessoal, a diretoria do grupo resolveu integrar Ricardo Napoleão no seu corpo docente, e a partir de 16 de julho do corrente, será oficialmente vinculado ao conjunto de professores.
Com a nova aquisição, o projeto ganha um reforço substancial nos trabalhos, visto que a demanda de alunos e o amplo espaço da Praça do Hipódromo, está exigindo atualmente mais rotatividade entre os instrutores.

Seja bem-vindo o professor Ricardo Napoleão!

Professor Gil Silva retorna do Festival Brincantes

Por Lucélia Albuquerque
Desembarcou no Recife no último dia 11 de junho, o professor do Guerreiros do Passo Gil Silva, depois de ministrar uma oficina de frevo durante o 1º Festival Brincantes, organizado por Rosane Almeida no Instituto Brincantes de Antônio Nóbrega em São Paulo. A oficina do professor Gil teve duração de quatro dias, onde no último, foi apresentado o esquete Diário de um passista, um trabalho solo, onde Gil aborda a sua trajetória de folião dentro do carnaval, mais precisamente, do frevo. Relembrando o feito, Gil contou que foi uma experiência muito rica, onde pôde trocar saberes não só entre os participantes da oficina, mas também, com outros artistas, que, como ele, foram convidados para o evento. O sucesso do 1º Festival Brincantes, garante desde já, sua segunda edição em 2012. Evoé!

Praça do Hipódromo mais verde

PRAÇA TERTULIANO FEITOSA PASSA POR UM PROCESSO DE RECUPERAÇÃO DE SUAS ÁREAS VERDES. 
A EMLURB, órgão responsável pela revitalização e manutenção das praças e vias públicas da Cidade do Recife, promoveu recentemente a arborização de alguns trechos da parte interna da Praça Tertuliano Feitosa, localizada no bairro do Hipódromo. A instituição realizou o plantio de mudas de espécies nativas da região, árvores ainda bem pequenas, protegidas por espetos de madeira, que já dão uma cara nova ao ambiente. Em breve, esta ação empreendida pelo município, vai tornar mais aprazível o local em que os Guerreiros do Passo utilizam há seis anos para a realização de oficinas de dança. Parabéns à Prefeitura pela iniciativa.


Guerreiros do Passo – Informativo

Professor Gil Silva
Professor dos Guerreiros do Passo Gil Silva ministrará oficina de frevo em junho no 1º Festival Brincantes, (Cavalo Marinho, maracatu rural e frevo: Diálogos e releituras contemporâneas) do Instituto Brincante de Antonio Carlos Nóbrega em São Paulo.
O evento que conta com a organização de Rosane Almeida, começou no dia 07 abril e se encerrará no dia 10 de junho. Oficinas gratuitas, debates, espetáculos e apresentações musicais fazem parte do evento, que conta com o apoio do Ministério da Cultura e patrocínio cultural da Chesf. No festival, além do integrante do grupo Guerreiros do Passo, participam outros artistas e mestres da cultura popular de Pernambuco.
Veja a programação completa no site do Instituto Brincante aqui.