NAS AULAS DOS GUERREIROS A GRANDE ESTRELA É O FREVO!

Veja algumas imagens e tire suas próprias conclusões.

UNIÃO ENTRE PASSISTAS, É POSSÍVEL?

OPINIÃO. Fala-se muito da necessidade de ver um dia a tão esperada união entre os passistas de frevo.

A FORÇA DA CAMISA AZUL

Nas aulas do Projeto Frevo na Praça, já foi possível observar que os professores dos Guerreiros do Passo, utilizam nos seus encontros semanais no bairro do Hipódromo...

MAX LEVAY REGISTRA OS GUERREIROS DO PASSO

O pernambucano Max Levay, profissional de reconhecido talento da arte da fotografia, fez um bonito registro dos Guerreiros do Passo no último mês de março. O artista produziu...

FOCO NO APRENDIZADO

Hoje em dia a busca por um melhor condicionamento na arte desenvolvida pelos famosos passistas de frevo, tem levado alguns praticantes a sair por ai pulando de aula em aula...

News - Guerreiros pretendem retornar às atividades abertas ao público ainda este ano/ Este site vai entrar em manutenção.

Aos Guerreiros do Passo

Mensagem recebida por e-mail, logo após a participação de dois integrantes do grupo Guerreiros do Passo num programa da Rádio Universitária FM em 02/02/2012

Luiz Guimarães
Caro Eduardo
A emoção me fez escrever esse breve relato. Caso se enquadre nas publicações do Guerreiros, fique a vontade para inclui-lo no Site.
Luiz Guimarães

GUERREIROS DO PASSO
A Pracinha do Diário já fez a sua bela e rica história com o nosso frevo. Os tempos mudam, os locais que o povo hoje frequenta também foram alterados e temos agora mais recentemente um novo reduto do frevo - o Hipódromo.

É lá que os Guerreiros do Passo levantaram a nova trincheira para preservar e perpetuar o frevo pernambucano.
Com desprendimento e entusiasmo lá estão nos sábados à tarde a turma aguerrida, dedicada e destemida, dando aulas e verdadeiros shows de frevo e passo – uma dupla infernal – que abrilhanta o nosso carnaval. Sem apoio algum, mas com espirito de luta e alma pernambucana eles são os abnegados que lutam e sobrevivem onde a arma utilizada é o frevo...
Não precisam de outros instrumentos a não ser aqueles que tocam a nossa música maior e que honra o Recife como a Capital do Frevo. Parabéns a todos os Guerreiros e seguidores. É assim que se faz história! É assim que perpetuamos nossas tradições! Sigam em frente, pois, o frevo não pode parar.

Luiz Guimarães Gomes de Sá
É membro da Academia Pernambucana de Música

Guerreiros do Passo na Rádio Universitária FM

Dirigentes do grupo estiveram no programa Carnaval 2012 da Rádio Universitária FM.
No estúdio da Universitária FM: Hugo Martins à esqueda,
Eduardo Araújo ao fundo, ladeado pelo compositor
Geraldo Silva, Lucélia Albuquerque e da produtora Miriam Leite
A visita foi uma solicitação da produtora do programa Miriam Leite, que deu a ideia para o apresentador e radialista Hugo Martins entrevistar alguns integrantes do grupo Guerreiros do Passo, motivada pela repercussão da apresentação no Clube Náutico Capibaribe (dia 27 de janeiro), onde mais uma vez, os dançarinos chamaram bastante a atenção no ensaio do Bloco da Saudade.

Os representantes Eduardo Araújo e Lucélia Albuquerque mencionaram a apresentação no Clube, e trouxeram outras informações sobre as pesquisas, atividades e sobre a montagem do espetáculo do grupo. O compositor Geraldo Silva fez a apresentação dos Guerreiros, e falou da alegria e da satisfação de ser amigo deles.

Na ocasião, os ouvintes puderam apreciar o frevo de rua Dona Lucélia, homenagem à personagem que Lucélia faz nas apresentações do espetáculo, de autoria de Geraldo Silva. Ainda no momento das entrevistas, foram ouvidos mais dois frevos de rua: Indecente e Estrela de Fogo, ambos também de Geraldo Silva. O programa comandado pelo ilustre Hugo Martins está sendo levado ao ar de segunda a quinta das 9:00 até às 11:30 da manhã, e na sexta das 14:00 às 16 horas. Sintonize a emissora em 99.9 FM.

Cadê os troféus?

Organizadores da Prefeitura do Recife decepcionam no Concurso de Passistas 2012
Destaque da passista Luana Ratis

Mais uma prova do descaso com o nosso frevo. Neste último sábado, dia 28 de janeiro, na finalíssima do Concurso de Passista, no Pátio de São Pedro, faltou o principal: Os troféus dos campeões. O nível estava muito bom, os jurados identificaram realmente os melhores concorrentes, mas, os “organizadores” deram uma prova de desorganização.

Resultado: uma tremenda vaia ecoou pelo local. Será que eles não tiveram tempo para confeccionar os prêmios? Não acredito, pois uma demonstração foi dada lá: os do Concurso de Porta-Estandarte foram entregues, e nesse caso, esta disputa tinha sido realizada três dias antes.

Não sei se é má vontade ou não importa pra eles os profissionais que ali estão envolvidos. Dançarinos que passam o ano todo treinando, e muitos deles levam a vida se preparando para a sua arte. Me parece que eles só realizam este evento porque são obrigados a fazer, caso contrário, deixariam pra lá.

Depois não reclamem que vivemos a criticar e “jogar pedra” nas ações e nos organizadores dessa Prefeitura. E não venham dizer também, que foi uma falha comum. Foi sim, uma total falta de respeito e uma prova de descomprometimento com um dos mais importantes símbolos do nosso frevo. Sem contar que não é a primeira vez que esta gestão organiza a disputa.

A noite não foi totalmente perdida porque estiveram concorrendo ótimos passistas e dançarinos com grande atuação. Com destaque para a categoria Passista folião. O Homem da Sombrinha, Gerinaldo José levou o primeiro lugar, e o passista Ferreira, o segundo. Na categoria Adulto Masculino, os dançarinos Bhrunno Henryque chamou bastante a atenção, porém, Deyvson Ferreira o superou com desenvoltura, e pôs em prática variações e movimentos singulares do passo. Destaco também, as participações de Ricardo Napoleão e João Lucas, os dois ganhadores dos segundos lugares da categoria Master e Mirim respectivamente.

Agora, espero que os participantes não recebam seus irrisórios prêmios em dinheiro perto do período junino. Por favor! Estamos de olho.
Eduardo Araújo

GUERREIROS DO PASSO EM ATUAÇÃO NESTA SEXTA

Nesta sexta-feira, dia 27, o grupo Guerreiros do Passo será recebido pelo Bloco da Saudade no seu tradicional acerto de marcha no Clube Náutico Capibaribe.

Mais uma vez o grupo Guerreiros do Passo foi convocado para exibir seu conhecido e comentado experimento intitulado O FREVO, que no ano passado, neste mesmo local, empolgou o público e os foliões, num espetáculo que propõe contar a história da dança do frevo, desde o final do século XIX até os dias atuais. Os passistas e capoeiras utilizam-se dos movimentos, figurinos e da evolução das sonoridades do ritmo pernambucano para caracterizar mais de cem anos de trajetória da dança autêntica recifense.

Como aconteceu na ocasião anterior, a Orquestra do Maestro Lessa participará do evento e executará parte do repertório do grupo ao vivo.

O ensaio do Bloco da Saudade inicia às 22 horas, no Clube Náutico Capibaribe.
Endereço: Av. Rosa e Silva, SN - Bairro dos Aflitos – Recife.

Os ingressos custam R$ 15,00 reais

Viva o Frevo! Guerreiros do Passo em atuação no Janeiro de Grandes Espetáculos

Um evento vai agitar com muito frevo a noite deste sábado dia 21 de janeiro.
A programação que acontecerá na Casa MECANE faz parte do 18º Janeiro de Grande Espetáculos e será composta pela Aula espetáculo  "Fervo, Frevo", de Viviane Souto Maior, sobre a cultura popular na formação de artistas e na criação cênica.  Ainda fazendo parte da Aula Espetáculo, dois professores e diretores do Guerreiros do Passo farão uma participação: Gil Silva e Lucélia Albuquerque, trazendo seus conhecimentos sobre o frevo e sobre as atividades desenvolvidas pelo grupo na cidade. Os Guerreiros fizeram parte da pesquisa da artista Viviane para a construção dessa Aula.
As outras atrações da noite, são os lançamentos de dois livros: "Brasil Africano: Frevo", de Christianne Galdino, e "Aula Espetáculo 100 Anos de Frevo", de Mariângela Valença.

O evento inicia às 22:00 horas na CASA MECANE, na Av. Visconde de Suassuna, 338 - Santo Amaro, Recife. Tel: 3038.0543. 

ENTRADA FRANCA

Guerreiros do Passo participam das gravações para programação da TV BRASIL

O grupo será apresentado pela primeira vez em rede nacional de televisão
Os Guerreiros do Passo e o espaço utilizado pelo grupo no bairro do Hipódromo, fizeram parte neste sábado, dia 14 de janeiro, das gravações do programa EXPEDIÇÕES da TV Brasil, emissora pública do Governo Federal. A jornalista Paula Saldanha e toda sua equipe colheram depoimentos, entrevistas e fizeram diversas imagens dos integrantes do grupo, onde puderam ilustrar com os trajes típicos e movimentos coreográficos característicos, o mais autentico ritmo pernambucano.
Jornalista Paula Saldanha apresenta o grupo

O tempo fechado e chuvoso impediu inicialmente os trabalhos, mas, logo depois, os céus deram uma trégua e toda filmagem pôde ser realizada da melhor maneira possível, sem prejuízo para a  desenvoltura dos dançarinos.

O garoto João Lucas de oito anos, formado pelo grupo e campeoníssimo em concursos de passistas, também foi um dos destaques da reportagem.

Mesmo já tendo feito gravações para tv’s nacionais como a Globo News, esta foi a primeira vez que o grupo exibiu seu trabalho para uma TV aberta brasileira.

O programa Expedições com a participação do grupo Guerreiros do Passo irá ao ar na semana de carnaval, aproximadamente no dia 21 fevereiro, no canal 11 em Recife e região metropolitana. As informações precisas da data e do horário serão confirmadas aqui no blog.

Aos alunos do grupo e a todos que participaram deste registro, os nossos mais sinceros agradecimentos.
A Diretoria
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O PROGRAMA

O EXPEDIÇÕES é o resultado de um trabalho de mais de 30 anos de documentação do Brasil e suas populações, realizado pela jornalista Paula Saldanha e pelo biólogo Roberto Werneck. O projeto como um todo inclui a série de programas de televisão EXPEDIÇÕES e livros que mostram a riqueza natural, étnica e cultural do Brasil.

Programas jornalísticos semanais, em formato de documentários de 30 minutos (26 minutos de produção), abordando o Brasil e suas milhares de faces, as populações, os costumes, a cultura, o meio ambiente, história, antropologia. As lentes do EXPEDIÇÕES percorrem todo território nacional e enfocam a realidade com profundidade.

Através de depoimentos de especialistas, opinião das comunidades e de imagens captadas nas mais distantes regiões do país, EXPEDIÇÕES dá voz à pluralidade e abriga o debate, sem abrir mão da aventura.

A missão do EXPEDIÇÕES é dar ao grande público uma macrovisão do país e sua gente, com o testemunho de dois profissionais brasileiros que, há quase três décadas, se dedicam exclusivamente a esse projeto de mostrar o Brasil aos brasileiros - um olhar consciente e apaixonado por nossa terra e nossa gente.
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Projeto Frevo na Praça recebe grande número de participantes

O primeiro encontro das atividades dos Guerreiros do Passo na Praça do Hipódromo ultrapassou a expectativa de público
Praça do Hipódromo - Sábado, 07 de janeiro de 2012
As atividades do Projeto Frevo na Praça desenvolvido pelos Guerreiros do Passo no bairro do Hipódromo, recomeçaram neste sábado, dia 07 de janeiro, com a temporada sendo retomada com força total pelo grupo de professores.

Neste primeiro encontro, o espaço utilizado pelos Guerreiros recebeu quase 50 alunos de diversos lugares do país, inclusive do exterior. Turistas paulistas, cariocas, japoneses, franceses, e claro, os nossos pernambucanos, participaram da oficina, aprimorando os passos, especialmente para o período que se aproxima.

Quem quiser participar, as aulas são gratuitas e qualquer um pode fazer parte. Uma equipe de instrutores experientes receberá à todos com alegria, descontração, num espaço arborizado e aprazível para a prática de exercícios físicos. Lembramos que o Projeto não acontece apenas neste momento pré-carnavalesco, mas também, durante todo o ano.

Os trabalhos iniciam às 15:00 horas, na Praça Tertuliano Feitosa (Praça do Hipódromo), no Recife, sempre aos sábados.

É importante lembrar que os alunos novatos precisam observar o Regulamento que rege as atividades do grupo. Disponível aqui no site.

Sejam todos bem vindos!
A diretoria

Federação Carnavalesca de PE promove festa de aniversário

Entidade comemora 77 anos de fundação com festejos no centro do Recife.
Missa, shows e encontro de blocos estão na programação desta terça (3).

Do G1 PE
A Federação Carnavalesca de Pernambuco (Fecape) comemora 77 anos de fundação nesta terça-feira (3) com festejos no Pátio de Santa Cruz, no bairro da Boa Vista, centro do Recife. O primeiro evento do dia, na manhã desta terça, é na Matriz da Boa Vista, na Rua da Imperatriz, com uma missa ecumênica. À tarde, às 16h, encontro de blocos de caboclinhos, maracatus, orquestras de frevo, cortejo com bonecos gigantes e estandartes prometem animar a festa.

Um palco, armado em frente à sede da Fecape, receberá vários nomes da música pernambucana para comemorar o aniversário da entidade. O evento terá a participação do sambista Ramos Silva, do Maestro Duda, da Banda Vinil, de Elias Ahur, entre outros convidados. O público poderá acompanhar toda a comemoração gratuitamente.

A diretora de projetos especiais da Fecape, Sandra Barcelos, ressalta que a entidade trabalha pela cultura pernambucana o ano inteiro. “A federação não cuida só do carnaval, mas trabalha com artistas sempre, incentivando e ajudando”, disse. A Fecape foi criada em 1935, por um grupo de empresários pernambucanos, que também mantinham o Quartel General do Frevo, na Praça da Independência, no centro do Recife.

Serviço
Aniversário de 77 anos da Federação Carnavalesca de Pernambuco (Fecape)
Pátio de Santa Cruz, Boa Vista, Recife
Terça-feira - 3 de janeiro
Missa - A partir das 7h / Festa - A partir das 16h
Entrada Franca

O enfraquecimento dos concursos carnavalescos do Recife

ARTIGO
Chegamos ao final do ano e já nos envolvemos com os assuntos do carnaval. Realmente é a nossa mais evidente vocação.
Um dos primeiros sinais é o anúncio dos concursos carnavalescos promovidos pela Prefeitura do Recife, que se inicia com as músicas e logo em seguida com os Porta-estandartes e Passistas.
O do Porta-estandarte acontece antes dos Passistas. Evento sem divulgação, sem pompa, brilho, diferentemente dos participantes, que se dedicam ao seu ofício e que aos poucos assistem impotentes a diminuição do interesse por parte do público pela sua arte. Segundo o mestre Fernando Zacarias, é cada vez mais raro ver um profissional de qualidade no carnaval, “Hoje existem muitos Carregadores de Estandartes”, apontando a falta de preparação artística dos novos concorrentes. Na minha opinião, esta realidade é causa da redução da importância dos símbolos do carnaval de rua. Alguém se lembra que o Rei Momo agora é Rei Magro?

Não muito distante desta realidade, está o Concurso de Passistas, um dos mais tradicionais da cidade, promovidos inicialmente pelos Jornais e Rádios do Recife em meados do século XX, e há vários anos e organizado pela Prefeitura do Recife. Faz tempo que esta disputa perdeu a capacidade de revelar grandes dançarinos e lançar nomes que fiquem na história do frevo. Vemos atualmente um aglomerado de bailarinos que nada mais têm da espontaneidade do verdadeiro passo pernambucano. Um espetáculo de sequências coreográficas repetitivas, que mesmo trocado o participante, parece que o primeiro ainda está se apresentando. Claro, já pudemos observar alguns lampejos de qualidade, e esses hoje estão em plena forma, ativos em grupos, solos e em companhias de relevância do país. São poucos, mas de grande nível.

Vai aqui uma sugestão. Por que não incluem itens no julgamento como: maior número de passos realizados, dificuldade de execução e inovação?

Este concurso deveria ser uma ação incentivadora da criação de novos talentos e da valorização de profissionais já lapidados pela sua experiência. Quando, por exemplo, observamos o regulamento deste ano, cremos que isso vai demorar a acontecer. Prêmios irrisórios, itens de julgamento confusos e categorias que merecem uma reflexão. Por que o PASSISTA FOLIÃO, aquele que não tem a obrigação de demonstrar uma maior habilidade com a dança do frevo, recebe um cachê superior às outras categorias, estando à frente de dançarinos que dedicam mais tempo e passam às vezes o ano todo treinando seus movimentos? É justo? E quais critérios servirão para avaliar esta categoria?

Se somarmos todos os valores dados aos primeiros colocados, percebemos que o total não chega sequer ao prêmio dado a um compositor do concurso de música. "Ah, os músicos dedicam muito estudo e esforço para aprimorar sua técnica, eles merecem maior recompensa”, dizem certos “entendidos”. Concordo, mas o que dizer de jovens que levam a vida a aprender e aperfeiçoar sua dança, participando de dois ou três grupos diferentes, estudando técnicas de aprimoramento, muitas vezes obtendo lesões pelas atividades, sem a garantia do retorno financeiro merecido? Isto não são estudo e esforço suficientes? Dança é arte menor?

Ora, faz tempo que o passista por estar ligado a cultura popular é discriminado, sendo mero acessório de adorno nas apresentações musicais, vistos muitas vezes como intrusos a invadir o espaço do frevo musical burguês. Deveriam caminhar juntos, o frevo dança e o frevo música, pois nasceram unidos pela mesma força motivacional, o carnaval. Por que são vistos por alguns como cultura distinta?

O concurso de Passistas do Recife, apesar de ser o único encontro oficial da categoria, poderia receber uma reformulação, impulsionando com isso, entre outras coisas, o anseio pelo conhecimento dos novos frevos e pela formação e profissionalização dos dançarinos.

A peleja do Concurso de Músicas Carnavalescas já conhecemos. Disputa sem muito acirro, divulgação pífia e resultado desanimador, com promessa de lançamento do CD das campeãs lá para alguns dias antes do período momesco. Talvez seja este um dos indícios da nossa música não mais fazer o devido sucesso. Ninguém sabe, ninguém escuta e como ninguém conhece, quão folião desavisado irá gostar ou perpetuá-lo às novas gerações? Resultado: um carnaval sem identidade, dependente dos lançamentos descartáveis de produtores nacionais, descomprometidos com a cultura do povo, preocupados unicamente com os ganhos, e a transformar, com o beneplácito dos dirigentes locais, uma festa de cortejos e de participação popular, em folia estática de palco. Diferentemente de antes, quando éramos referência de festejo autêntico e terra de exportação de verdadeiras obras musicais.
Os tempos mudaram, “não somos uma ilha”, como já disseram outro dia. O Recife perdeu a identidade de ser a Terra do Frevo e do Maracatu. Nos identificamos agora com o Carnaval Multicultural. Temos que receber o Brasil inteiro aqui - como se isso não bastasse durante o ano - e aceitar na abertura da festa, que os sons de tambores e gaivotas transloucadas sejam o anfitrião dos renomados artistas nacionais.
Agora me digam uma coisa, algum outro estado da federação convida artista pernambucano para fazer a abertura do seu carnaval? Seremos nós os paladinos carnavalescos mais democráticos a dar exemplo ao mundo? Nossos artistas e tradições merecem mais respeito. Foram eles que construíram lá atrás nossa fama, e podem no futuro, ampliar a reputação cultural deste valoroso chão.

Não perdi as esperanças. Por isso frequento alguns focos de resistência e compareço entusiasmado aos acertos de marcha do Bloco da Saudade e aos desfiles das agremiações acompanhadas pelas orquestras dos maestros Oséas e Lessa nas ladeiras de Olinda. 

Espero sinceramente que um dia isso mude, se não mudar, desejo que melhore. Evoé!

Eduardo Araújo

MEMÓRIA DE UM MESTRE CORRE RISCO DE DESAPARECER

ARTIGO
Um assunto recentemente vem chamando a atenção dos Guerreiros do Passo e, imagino, deva também inquietar a todos que amam a cultura pernambucana e de alguma forma querem preservá-la para a posteridade. Fui procurado há alguns dias pela viúva do famoso passista Francisco do Nascimento Filho, o nosso Nascimento do Passo, a qual me indagou sobre a possibilidade dos Guerreiros se engajarem na tentativa de salvar o acervo cultural do mestre, acervo este que está se deteriorando pelo seu inadequado acondicionamento.
Gecilandi, a ex-esposa, mostrou-se apreensiva por ver este material no estado em que se encontra, e com toda razão, está solicitando apoio para salvaguardá-lo.
Ela mencionou ainda, que logo depois do falecimento do Mestre, parte desse material foi deixado à disposição para que algumas pessoas próximas pudessem recuperá-lo - o que considerei um risco - e mesmo assim, uma grande parte ainda está necessitando de cuidados. Este acervo, registrado em fotos, troféus, figurinos e em diversas fitas VHS, inclusive, diplomas que o Mestre recebeu pelos títulos de cidadão recifense e pernambucano, corre o risco de desaparecer em pouco tempo se nada for feito, o que é um absurdo para a história e para a memória carnavalesca do nosso povo.

Sabe-se que o Mestre não foi um homem de posses, e teve, inclusive, muitas dificuldades no final de sua vida, fato que culminou numa campanha que realizamos para arrecadar donativos na época, visto o precário estado em que se encontrava. Sendo assim, sua família, igualmente, não tem condições para preservar este material, o que penso, poderá ser feito por instituições especializadas e com experiência nesse ofício.

O pessoal da Casa do Carnaval, órgão da Prefeitura do Recife, já está a par do assunto há algum tempo e nada fez, e acho que não o fará. Eles até iniciaram uma pequena limpeza em alguns objetos, mas, logo depois, pediram que os responsáveis os levassem e que procurassem uma produtora para fazer um projeto, e de alguma forma tentassem concorrer aos editais.

Revela-se aqui o descaso e a dificuldade em buscar mecanismos oficiais para preservar o legado deste artista, concorrendo com atitudes de governantes que desrespeitam e desprezam o passado do maior responsável pela divulgação da mais importante manifestação popular de Pernambuco.

Sabemos que a gestão que atualmente comanda nossa cidade preferiu há algum tempo adotar uma postura de total esquecimento da figura do Mestre Nascimento, esforçando-se em valorizar filhos de outros passistas, que estão sendo usados como organismos de desvirtuação e de uma política depreciativa contra um legitimo artista popular.

Participei do 1ª Encontro do Plano Integrado de Salvaguarda do Frevo, e na oportunidade em que foi possível mencionar o nome de Nascimento no local, a atitude foi contestada veementemente por um representante da prefeitura. Para dar um exemplo, apresentou-se uma sugestão de modificação do nome da Escola Municipal de Frevo, propondo mudar para Escola de Frevo Egídio Bezerra, o que discordei imediatamente.

Este fato a meu ver, é um pequeno exemplo do descaso com o verdadeiro idealizador da Escola, que teve uma luta intensa para a sua criação e divulgação. Egídio, este outro mestre e Rei do Passo, merece também muitas homenagens, mas, no caso da Escola de Frevo, o bom senso nos diz que seria prudente inserir o nome do Mestre Nascimento, e não de outra pessoa.

Hoje, o frevo é sinônimo de festa espetacular e de motivo de diversas análises e pesquisas. Do mesmo modo, quando assistimos os grupos e artistas que arrecadam fundos consideráveis em editais públicos para construir suas coreografias e montagens “conceituais”, nada ou pouco é feito pela lembrança do mestre. Posso afirmar com toda certeza que grande parte disso tudo que está ai, foi possível graças às ações que Nascimento empreendeu na sua vida e de sua dedicação para tirar a dança do frevo da discriminação e da impopularidade nas décadas de 70 e 80 do século XX. E o que fizeram com sua história? O que acontece na verdade, é a punição que alguns hipócritas impuseram a este artista amazonense, que fez mais do que muitos que nasceram aqui, e que além de tentar destruir sua imagem, ao contrário dele, não representam absolutamente nada para o frevo.

Nós (Guerreiros do Passo), de alguma forma estamos fazendo o possível para preservar, na prática, um dos principais legados do mestre: o seu Método de Ensino, e, embora achemos isso relevante, a preservação desses registros passou a ser agora mais uma missão que teremos que enfrentar.

Desta forma, observando a inércia dos poderes locais, iniciamos os contatos e conversas com representantes de entidades públicas federais, no intuito de agilizar os procedimentos e realizar parcerias que conduza-nos o quanto antes para a conservação deste material.

No futuro, desejamos que a história narre, através do acervo recuperado e de seus verdadeiros discípulos, a obra e a vida de uma das maiores e mais importantes expressões da dança, do frevo e da cultura popular brasileira. Salve o Mestre Nascimento do Passo!

Eduardo Araújo