A reportagem realizada no
dia 14 de setembro (dia Nacional do Frevo), foi apresentada nesta quarta, dia
20.
NAS AULAS DOS GUERREIROS A GRANDE ESTRELA É O FREVO!
Veja algumas imagens e tire suas próprias conclusões.
UNIÃO ENTRE PASSISTAS, É POSSÍVEL?
OPINIÃO. Fala-se muito da necessidade de ver um dia a tão esperada união entre os passistas de frevo.
A FORÇA DA CAMISA AZUL
Nas aulas do Projeto Frevo na Praça, já foi possível observar que os professores dos Guerreiros do Passo, utilizam nos seus encontros semanais no bairro do Hipódromo...
MAX LEVAY REGISTRA OS GUERREIROS DO PASSO
O pernambucano Max Levay, profissional de reconhecido talento da arte da fotografia, fez um bonito registro dos Guerreiros do Passo no último mês de março. O artista produziu...
FOCO NO APRENDIZADO
Hoje em dia a busca por um melhor condicionamento na arte desenvolvida pelos famosos passistas de frevo, tem levado alguns praticantes a sair por ai pulando de aula em aula...
O Frevo invade a Praça do Hipódromo em plena sexta-feira
Um grande público festeja o Dia
Nacional do Frevo na Praça Tertuliano Feitosa.
Realizada
especialmente para comemorar a segunda data anual do ritmo maior do nosso
estado, a oficina de dança dos Guerreiros do Passo que tradicionalmente ocorre aos
sábados, foi realizada especialmente num dia extra, sexta feira. A data excepcional de
comemoração (14 de setembro), foi instituída pelo Governo Federal em 13
de janeiro de 2009.
Para
isso, um grande público aceitou a sugestão do grupo, e diversos participantes de
todas as idades estiveram presentes para festejar a data especial. A
emissora, TV Jornal,
afiliada do SBT, registrou as atividades, colhendo imagens e entrevistas dos
integrantes do projeto. À frente dos trabalhos estavam os professores Valdemiro
Neto e Gil Silva.
Lembrando que a aula do sábado (15), ocorreu normalmente.
Lembrando que a aula do sábado (15), ocorreu normalmente.
Americanos e canadenses caem no passo na Praça do Hipódromo
Guerreiros do Passo recebem visita de membros do Friendship Force International
O Projeto
Frevo na Praça recebeu neste sábado dia 08 setembro, a visita de alguns
integrantes do Friendship Force International. Friendship Force é uma organização sem fins
lucrativos, que realiza intercambio cultural internacional, através de um
programa fundado em 1977, nos Estados Unidos da América. Conhecidos como "Embaixadores da Amizade", os membros dessa
organização viajam trocando experiencias, informações e conhecimentos com
outros associados espalhados pelo mundo, em mais de 50 países.
Dessa vez estando em Recife, o grupo muito
especial de membros que vieram dos EUA e Canadá, aproveitaram para cair no
frevo no “Projeto Frevo na Praça”, e ficaram encantados. Conheceram como a dança pernambucana
é realizada em grande palco a céu aberto, na bela Praça Tertuliano Feitosa.
Edna Pimentel, responsável pela apresentação do grupo ao Projeto, ficou feliz de ver que seus amigos caíram no passo. Edna tinha certeza que participando de uma tarde com os Guerreiros, repetindo os diversos movimentos que facilitam o aprendizado da dança, eles seriam picados pelo micróbio do frevo. Frevaram e provaram que são cidadãos temporários do Recife, a terra do frevo e do Maracatu. E todos saíram felizes de terem terminado o dia, dançando em uma Praça do Recife.
Referência do outro lado do mundo
Grupo
Guerreiros do Passo foi tema de estudo em Congresso Acadêmico no Japão
O professor de Educação Física da Tokyo Gakugai University, Chikashi Kambe, apresentou no 63º Congresso da Sociedade de Educação Física, Saúde e Ciências Esportivas do Japão,
que se realizou de 22 a 24 de agosto de 2012, em Toukai, Universidade
que fica na província de Kanagawa, próximo da cidade de Tóquio, um
estudo sobre as atividades e ações desenvolvidas pelo grupo Guerreiros
do Passo.
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| Cartaz do Congresso |
Chikashi
Kambe é um profissional que já vem pesquisando o frevo e o carnaval
pernambucano há alguns anos, inclusive, conhecia de perto o Mestre
Nascimento do Passo e sua obra. Foi através do Mestre que o docente
aproximou-se dos integrantes do grupo. Veja uma matéria sobre a última
visita do educador na nossa cidade, clicando aqui.
No
congresso japonês, Chikashi apresentou um estudo sobre os Guerreiros na
seção Antropologia do Esporte e Dança. O título do trabalho foi “Um Projeto para transmitir o Frevo à geração futura: A tentativa dos Guerreiros do Passo”.
Para
isso, o professor baseou-se em pesquisas que realizou com o grupo na
própria cidade do Recife em 2009 e 2011; o website oficial dos
Guerreiros do Passo e a monografia de Lucélia Albuquerque de Queiroz,
que tem como tema central, as práticas do grupo.
Ainda na
Conferência, Chikashi explicou as circunstâncias de formação da instituição, o objetivo das atividades empreendidas pela
equipe de instrutores, e outras ações. Sobre as atividades, ele apresentou quatro
exemplos: as oficinas da Praça do Hipódromo; o Grupo de dança
“Guerreiros do Passo”; a agremiação carnavalesca “Troça o Indecente” e
um estudo sobre o frevo pernambucano.
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| Professor Chikashi Kambe |
Sem dúvidas este é um resultado de enorme relevância e um importante reconhecimento às atuações dos Guerreiros do Passo em outro país. O grupo agradece a referência do professor Kambe, compreendendo que isso é mais um estímulo para impulsionar os trabalhos, e continuar fazendo o que sempre fizeram, tratar o frevo com responsabilidade e respeito à cultura do nosso povo.
Tarde de festa na Praça do Hipódromo.
Obrigado à todos que estiveram presente para prestigiar a data festiva do grupo. Que venham muitos outros!
Perguntaram-me pela ocasião do aniversário dos Guerreiros do Passo: Como é fazer 7 anos de grupo?
Pois
bem. Tento responder agora formulando outras indagações a quem possa interessar.
Como se constrói em sete anos um grupo de dança na nossa cidade?
Por quanto
tempo se sustenta a existência cultural sem ter o amparo ideal?
Quantos
nãos receberemos na suada trajetória sem esmorecer?
Que quantidades
de vezes são aceitáveis para aguentarmos as negativas nos editais?
Quantas
vezes serão roubadas nossas ideias sem notarmos?
Quantas
viagens e excursões desnecessárias faremos para abrandar nossas condições?
Quanto
cinismo e incapacidade temos que observar nos gestores sem desanimar?
Quantas
panelinhas teremos que fazer parte para sermos indicados?
Quantos
políticos safados temos que acolher para que nossa ação não corra risco de
acabar?
Quantos
sins fingidos notaremos em algumas reuniões em que temos de participar?
Quantos
sapos ainda teremos que degustar?
Quantas
inimizades nutriremos com a luta e com o trabalho diário?
Quantos
amigos serão suficientes para as tristezas suavizar?
Até
quando faremos parte de combinações e acordos da boca pra fora sem reclamar?
Quantas
hostilidades teremos que enfrentar sem desmoronar?
Quantos
invejosos teremos que espantar para o azar não chegar?
Quantas
merdas, intrigas e idiotices de alguns babacas temos que ouvir sem nos cansar?
Quantas
vezes tenho que escutar: deixa essa porcaria de frevo pra lá e vai procurar
o que fazer, sem me importunar?
Quantas
lágrimas são necessárias cair neste momento para que eu pare de chorar...?
Guerreiros do Passo é mais do que um grupo, é acima de tudo, obstinação e resistência!
Um mestre em cada esquina
Depois do falecimento
do famoso passista Francisco do Nascimento Filho, um fenômeno de supostos novos
mestres da dança do frevo está começando a surgir em Pernambuco.
Sem o olhar atento do último profissional que
era legitimamente considerado um mestre da dança recifense - Nascimento do
Passo - está aparecendo atualmente relatos e conversas entre alguns dançarinos,
a respeito de passistas e pseudos foliões do nosso carnaval, que estão
desejando se transformar, de uma hora pra outra, nos novos possíveis mestres da
dança do frevo. O mais estranho disso tudo, é saber que esses autênticos
passistas, que apenas há alguns anos deram início à sua trajetória, muitas
vezes estimulam o fato e concordam em aceitar a indevida e imérita alcunha.
Imagino como seria a transformação da história
de vida de esforçados profissionais de dança, na construção da biografia de um
verdadeiro mestre do passo. Será que se faz um pelo certo número de aulas
ministradas, apresentações ou por alguns anos pulando nos carnavais de Olinda e
Recife? Se for assim, teremos um mestre em cada esquina e todo grupo que se
preze terá o seu.
Pergunto-me qual a real necessidade disso.
Seria o mais urgente a fazer? Sem avaliar a tolice que estão fazendo, buscam
chamar a atenção para uma tênue carreira, sem compreender que nem mesmo os seus
colegas mais próximos lhes dão o respaldo necessário para legitimar esta
condição. Creio que a atitude seja uma saída para um mercado artístico
saturado, em uma região em que os passistas se acotovelam, buscando as luzes
mais brilhantes de uma notoriedade tanto desejada, e criando, talvez, um
diferencial para se sobressair em meio a tantos iguais.
Não questiono a qualidade de determinados
dançarinos que hoje estão espalhados pelo nosso Estado e até fora do país,
alguns, com trabalhos reconhecidamente louváveis e suficientemente merecedores
de aplausos. Mas, a despeito disso, começarmos a instituir graduações de toda
forma para satisfazer desejos pessoais e massagear os egos insatisfeitos de
artistas frustrados, é outra história.
Que responsabilidade há, quem, por um excesso
de egoísmo propaga informações tão autoelogiáveis? E como ficam àqueles que só
há pouco convivem com os prováveis “catedráticos do passo”, e de alguma forma
podem ser persuadidos a ampliar o caso? Já pude observar desavisados alunos
exaltando alguns dançarinos, cognominando meros instrutores de frevo, de mestre.
Existia uma máxima no discurso nazista que dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”.
Existia uma máxima no discurso nazista que dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”.
Afirmo
que a intenção aqui não é criar polêmica, até porque tenho muitos amigos no
meio, entretanto, gostaria que houvesse um esforço de raciocínio por parte dos
envolvidos, para estabelecer um diálogo constituído pelo bom senso, numa
análise voltada realmente para aspectos importantes do frevo. Não deixando que
interesses pessoais desvirtuem uma discussão que poderia abarcar questões muito
mais relevantes para o nosso ritmo centenário. Poderíamos iniciar este
debate fazendo diversas abordagens, como: a falta de apoio institucional para a
dança; a carência de políticas públicas para os passistas; a ausência de
engajamento da classe; a injusta relação de certos produtores no trato com
alguns grupos. Mas, um ponto em especial venho analisando há um tempo: a constante
padronização do passo, fenômeno que tem se proliferado por escolas, grupos e
que nada traz de produtivo para o futuro do frevo.
Quando ingressei na Escola Municipal de Frevo
do Recife no final de 1997, tive a impressão que estava num ambiente de
formação cultural singular, e apesar de saber que todos ali tiveram a mesma
base e passaram pelos mesmos ensinamentos contidos no Método Nascimento do
Passo, nas exibições individuais, nas “rodas” ou mesmo em apresentações,
assinalava-se sempre uma performance única e maravilhosamente imprevisível,
numa demonstração de habilidade técnica elevada, proporcionada por uma
metodologia que estimulava realmente o dançar autêntico e espontâneo de
Pernambuco.
Enquanto isso acontecia na Escola, não era difícil observar na cidade outros diferentes estilos de fazer o passo, e como se tornava comum identificar a procedência de determinados passistas. Quem acompanha a folia pernambucana há pelo menos uns quinze anos sabe o que estou dizendo. Hoje, parece que todos são iguais, não havendo diferença entre os dançarinos de Recife, Olinda ou de qualquer outro lugar - salvo algumas exceções - onde a distinção esteja apenas nas “pintas” realizadas.
Enquanto isso acontecia na Escola, não era difícil observar na cidade outros diferentes estilos de fazer o passo, e como se tornava comum identificar a procedência de determinados passistas. Quem acompanha a folia pernambucana há pelo menos uns quinze anos sabe o que estou dizendo. Hoje, parece que todos são iguais, não havendo diferença entre os dançarinos de Recife, Olinda ou de qualquer outro lugar - salvo algumas exceções - onde a distinção esteja apenas nas “pintas” realizadas.
Mesmo assim, parece que esses temas não têm
despertado a atenção dos novos e ilusórios mestres do passo. Talvez porque eles
estejam mais preocupados em ajustar seus currículos e olhar seus umbigos, do
que perder tempo com assuntos que não chamam a atenção do público.
O frevo não será melhor ou pior com o
estabelecimento intencional de novos doutores da dança, e se houver mestres,
que haja por mérito e com a evolução natural de seu ofício e das intervenções
significativas que estes, porventura, tenham produzido no decorrer dos anos. Egídio
Bezerra, Coruja, Sete Molas e o próprio Mestre Nascimento, não foram criados
por reuniões ou por escolhas aleatórias. Tiveram acima de tudo, o
reconhecimento da sociedade pelo empenho em difundir sua arte, fazendo dela não
só um meio de sustento e enaltecimento pessoal, mas, sobretudo, porque eram
trabalhadores incansáveis e artífices fundamentais de sua essência.
Como podemos vislumbrar mestres sem ter
acumulado legado e sem discípulos?
Obter reconhecimento custa tempo, prática, e não combina com a maneira que as pessoas atualmente estão acostumadas a pensar. Às vezes, o trabalho de formiguinha - aquele construído através de pequenas descobertas, experiências, erros e acertos do dia a dia - traz muitas alegrias, e ao contrário do que muitos pensam, é extremamente importante para a edificação de uma história cultural nas manifestações populares. O difícil é conhecer quem esteja disposto a esperar. E não adianta querer comparar outros segmentos da cultura tradicional para estabelecer um referencial facilitador que possa estreitar o caminho, e sirva como mote para o almejado e sonhado titulo. Um mestre de frevo deve ser legitimado pelo próprio frevo, e fundamentalmente aceito pela sua classe.
Aqueles que pretensiosamente ambicionam um lugar de destaque na nossa dança, até agora não exteriorizaram com conveniente eloquência as opiniões sobre o ato, e nunca deixaram claro em que ideias se baseiam para aprontar tamanho delírio. Como aconteceria a avaliação, quais critérios, formas e sob qual peso cultural esses indivíduos seriam submetidos? Se isso não acontece, sou forçado a acreditar que desejam assemelhar-se ao mais recente mestre conhecido. E só por isso, já seria uma tremenda insensatez.
Obter reconhecimento custa tempo, prática, e não combina com a maneira que as pessoas atualmente estão acostumadas a pensar. Às vezes, o trabalho de formiguinha - aquele construído através de pequenas descobertas, experiências, erros e acertos do dia a dia - traz muitas alegrias, e ao contrário do que muitos pensam, é extremamente importante para a edificação de uma história cultural nas manifestações populares. O difícil é conhecer quem esteja disposto a esperar. E não adianta querer comparar outros segmentos da cultura tradicional para estabelecer um referencial facilitador que possa estreitar o caminho, e sirva como mote para o almejado e sonhado titulo. Um mestre de frevo deve ser legitimado pelo próprio frevo, e fundamentalmente aceito pela sua classe.
Aqueles que pretensiosamente ambicionam um lugar de destaque na nossa dança, até agora não exteriorizaram com conveniente eloquência as opiniões sobre o ato, e nunca deixaram claro em que ideias se baseiam para aprontar tamanho delírio. Como aconteceria a avaliação, quais critérios, formas e sob qual peso cultural esses indivíduos seriam submetidos? Se isso não acontece, sou forçado a acreditar que desejam assemelhar-se ao mais recente mestre conhecido. E só por isso, já seria uma tremenda insensatez.
Expondo uma nítida carência íntima, o ato de
criação dos “neomestres do frevo”, além de não esconder o desejo de alguns
quererem ser vistos como artistas acima dos padrões convencionais, também não
encobre um possível e descabido interesse financeiro nos planos. De acordo com
o próprio Nascimento do Passo, não creio que esta notícia iria lhe despertar
maiores entusiasmos. Sua trajetória passou por caminhos muito mais
significativos do que simplesmente colher apoio em favor de uma graduação
desnecessária e sem a devida estrutura histórica.
No caso dos Guerreiros do Passo, nenhum professor do grupo, mesmo àqueles que tenham se originado nas aulas de Nascimento, não carregam a designação, não a desejam e sentem-se desrespeitados quando o fazem propositalmente.
Lembrando que um dos princípios essenciais no estabelecimento da maestria é o tempo, sugiro aos aspirantes a mestres que continuem trabalhando, deixem de superficialidades, abram mais espaços, ponham a cara com coragem e defendam sua dança, formem multiplicadores, constituam técnicas, unam-se, assimilem conhecimentos, repassem saberes, respeitem seus colegas, sejam criativos, criem/recriem seus métodos. E com isso, quem sabe, daqui uns 30 ou 40 anos, tenham uma posição de destaque nas manifestações populares, e possam, também, ter seu nome registrado na história do frevo pernambucano.
Vivam os verdadeiros Mestres do Passo!
No caso dos Guerreiros do Passo, nenhum professor do grupo, mesmo àqueles que tenham se originado nas aulas de Nascimento, não carregam a designação, não a desejam e sentem-se desrespeitados quando o fazem propositalmente.
Lembrando que um dos princípios essenciais no estabelecimento da maestria é o tempo, sugiro aos aspirantes a mestres que continuem trabalhando, deixem de superficialidades, abram mais espaços, ponham a cara com coragem e defendam sua dança, formem multiplicadores, constituam técnicas, unam-se, assimilem conhecimentos, repassem saberes, respeitem seus colegas, sejam criativos, criem/recriem seus métodos. E com isso, quem sabe, daqui uns 30 ou 40 anos, tenham uma posição de destaque nas manifestações populares, e possam, também, ter seu nome registrado na história do frevo pernambucano.
Vivam os verdadeiros Mestres do Passo!
Eduardo Araújo
Guerreiros do Passo estão batendo recorde de participação
MAIS UM SÁBADO
DE GRANDE MOVIMENTO NO PROJETO FREVO NA PRAÇA NO HIPÓDROMO.
Vários passistas
estiveram presentes para fazer os diversos passos do Frevo neste último sábado, dia 11 de agosto, na belíssima Praça Tertuliano Feitosa na zona norte do Recife. O resultado foi um
número de participação expressivo que admirou à todos que compareceram ao lugar. As imagens não negam
que o espaço utilizado pelo grupo está se tornando um ponto obrigatório dos
apreciadores e profissionais do ritmo. Lembremos que estamos apenas no mês de agosto, e o público apresentado representa uma significativa conquista
para aqueles que achavam que o frevo era um produto cultural exclusivo do carnaval.
Guerreiros do Passo mantêm a mesma média de público
Cerca de 27 alunos participaram
da oficina realizada pelos Guerreiros do Passo neste sábado, dia 04 de agosto.
O Projeto vem mantendo uma boa média de participação durante os encontros, e a
expectativa da diretoria é que este número deva se manter até o carnaval.
O Projeto Frevo na
Praça é uma ação gratuita, direcionada a todo e qualquer interessado em fazer o
passo do Frevo. A iniciativa acontece
todos os sábados às 15 horas, na Praça Tertuliano Feitosa, no bairro do
Hipódromo - Recife.
Agora é ele, o Frevo
ARTIGO
Passadas as festividades
de meio de ano, começamos a nos inteirar dos assuntos referentes ao período
mais esperado por foliões e amantes do passo pernambucano: o
carnaval. E a nossa cidade tem um aspecto singular e ainda mais especial, é a
detentora e responsável por uma dança e uma música feitas particularmente para
a grande ocasião.
Agremiações escolhem seus temas, buscam recursos, grupos dão
início aos ensaios, escolas inscrevem novos alunos e cursos brotam espalhados pela cidade com oficinas e projetos culturais do ritmo.
Nos seus mais de cem
anos de formação, o frevo se consolidou não só como uma manifestação cíclica
voltada para o carnaval, mas, sobretudo, se transformou numa identidade cultural
representativa de um povo, condensadas em conquistas alimentadas por rebeldias,
sofrimentos, alegrias, e na garra de gente que tem correndo nas veias mais do
que sangue, coragem!
Seu nome alcançou
diversos lugares e territórios, e hoje podemos afirmar que o frevo é uma
expressão artística surpreendente, em constante transformação e difundida no
mundo todo, graças a artistas que são verdadeiros embaixadores da arte pernambucana
fora do Brasil. Destaco dois em especial, que há anos estando na Europa expandem
de forma maravilhosa e com profissionalismo admirável o nosso frevo. São eles: o
Adriano Rocha, mais conhecido pela denominação de Teco, e Carlos Frevo, com sua
Locomotiva que arrasta uma legião de adeptos e apaixonados do ritmo.
Com toda sua história,
é difícil acreditar que um componente cultural extremamente rico e monopolizado por
diversas esferas do poder público como símbolo maior do lugar, possa sofrer
tantas atribulações e dificuldades para continuar existindo. O frevo e seus
fazedores não padecem ainda mais, porque deles sobressaem abnegados - muitas
vezes chamados de loucos - que fazem de tudo para pôr em prática sua
brincadeira, mesmo que lhes custe os poucos recursos disponíveis.
Os obstáculos são tão
constrangedores que é preciso às vezes uma campanha para alguns grupos
conseguirem apoio. E o ato de mendigar ajuda, chega ao ponto de coisas
meramente essenciais, e o que poderia ser elementar para alcançar, transforma-se
em
um verdadeiro martírio. Sem mencionar outras instituições que vêm carregando há
anos seus fardos pesados de incertezas e de dias melhores. Muitas,
infelizmente, surgem com os dias contados para extinguir-se.
Por que tantos
empecilhos no trato com a nossa cultura? E quais melhorias e benefícios teve
o Frevo
em
se tornar Patrimônio Imaterial?
Fazendo uma comparação
com as manifestações de outros Estados, e claro, respeitando suas
características e dinâmicas próprias, percebemos do que é nosso vai perdendo
cada vez mais de sua hegemonia histórica. No carnaval do Rio de Janeiro, por
exemplo, com suas Escolas de Samba grandiosas e atributos exclusivos,
não diminuiu em nada seu esplendor durante os anos. E mesmo passando por dramas
recentes como incêndios que afetaram os barracões de algumas agremiações, não
sofreu qualquer redução de sua estrutura e das verbas disponibilizadas para
o evento. Pelo contrário, intensificaram não só o apoio das que foram
danificadas, mas, também, ao conjunto das escolas que participam dos grupos
Especial e de Acesso. Sem falar no retorno triunfante do carnaval de rua de lá,
que a cada ano transforma-se em um fenômeno de crescimento e de participação
popular.
O entendimento neste
caso sempre foi o de fortalecer os que fazem a festa, sendo importante o incentivo
para que sua grandiosidade gere resultados aos olhos do público, e,
principalmente, produza renda aos integrantes e impostos ao governo. O saldo é
uma folia exibida no mundo todo, valorizada, e com seus administradores
satisfeitos por mais um ano de realização.
Passando pela Bahia,
vemos que o seu festejo particular com trios elétricos fica mais pulsante ano a
ano, e é um orgulho do seu povo e dos artistas, que citam o desenvolvimento do
seu carnaval por meio de uma política eficiente de suporte aos que fazem a
festa, e de incentivos dados às empresas que patrocinam o evento. Não entro no
mérito se é uma folia feita através de cordão de isolamento e tal, pois,
exigiria mais tempo aqui para desenvolver o assunto. Porém, uma coisa não podemos
negar, o número de participação é incontestável.
Outro modelo de
festividade que é um exemplo de exuberância, é o Festival Folclórico de Parintins na Amazônia. Tradição levada
a sério, com a devida veneração à cultura popular, transformando a natureza
rica daquele lugar em temas exibidos efusivamente em arena pública. Até os
patrocinadores mudam as cores de suas marcas para se adequarem respeitosamente
aos Bois Caprichoso e Garantido. Claro, há uma jogada de marketing nisso, com a
nítida intenção de comercializar produtos tanto para uma torcida quanto para
outra. Contudo, a ação não interfere no fenômeno espantoso de popularidade que
a cada ano aumenta.
No nosso caso, e segundo
algumas informações noticiosas, o Recife não perde em nada quando comparamos as
atrações e festejos de outros estados, principalmente porque trazemos de lá, os
mesmos artistas vistos nesses mesmos locais. Quando
as pessoas viajam e vão conhecer outros lugares, suas festas e comemorações,
esperam encontrar autênticas manifestações e a cultura rica do seu povo. Aqui,
quando nos visitam, encontram as mesmas apresentações que eles encontrariam em
seus próprios lugares de origem. Pode ser até uma programação multicultural,
mas, faz tempo que não acrescenta em nada de nossa legítima tradição.
Quem comparece ao Marco
Zero, vê uma multidão espremida para assistir as grandes atrações nacionais,
pagas pontualmente com recursos vultosos, enquanto os artistas e grupos locais,
além de implorar para receber seus míseros cachês em oito ou dez meses depois
da festa, testemunham o completo descaso que é dado ao conjunto de nossas
corporações carnavalescas.
Por outro lado, a
imagem vendida ao público é proporcionalmente inversa a realidade, e quem
acompanha os meandros culturais da terra, não concorda com isso, e se
assusta com o desaparecimento de troças, clubes e blocos. Muitos deles
tradicionalíssimos, e os que ainda sobrevivem, habituaram-se a um cortejo de
passarela realizada altas horas da noite, sem repercussão e sem apresentar o
mesmo brilho e empolgação de anos passados. Alguns se tornam parasitas, se
vendendo a políticos para continuar sobrevivendo. Sem contar que a história carnavalesca por
vezes é tão violentada, que as poucas agremiações que saem às ruas, e
as novas que hoje nascem, estão modificando-se estruturalmente e perdendo sua
denominação de costume. Tudo vira bloco, bloco disso, bloco daquilo,
esquecendo-se que os verdadeiros blocos do nosso carnaval são os líricos, sem ter
nenhuma semelhança com o termo pejorativo em moda.
Muitas dessas
aberrações vão tirando o pouco do que resta de nossa emblemática festa. As
orquestras estão sendo substituídas por carros de som e mini trios; os
Porta-estandartes trocados por meros carregadores; as fantasias e os temas
alegóricos se resumem agora a um simples e grosseiro abadá, e mesmo assim, para
serem confeccionados, inserem tantas marcas de patrocínio, que parecem mais uma
vestimenta de piloto de Fórmula 1.
Mas isso não importa! O
que nossos dirigentes querem é realizar ações direcionadas apenas para chamar a
atenção dos grandes palcos principais e fazer-nos esquecer de onde poderia
haver um maior investimento. Enquanto isso, os grupos, artistas e agremiações
que residem em bairros afastados do grande show,
ao mesmo tempo que padecem para continuar sobrevivendo, permanecem sendo ainda focos
legítimos de resistência da tradicional e real festa popular pernambucana.
Viva o Frevo!
Eduardo Araújo












