NAS AULAS DOS GUERREIROS A GRANDE ESTRELA É O FREVO!

Veja algumas imagens e tire suas próprias conclusões.

UNIÃO ENTRE PASSISTAS, É POSSÍVEL?

OPINIÃO. Fala-se muito da necessidade de ver um dia a tão esperada união entre os passistas de frevo.

A FORÇA DA CAMISA AZUL

Nas aulas do Projeto Frevo na Praça, já foi possível observar que os professores dos Guerreiros do Passo, utilizam nos seus encontros semanais no bairro do Hipódromo...

MAX LEVAY REGISTRA OS GUERREIROS DO PASSO

O pernambucano Max Levay, profissional de reconhecido talento da arte da fotografia, fez um bonito registro dos Guerreiros do Passo no último mês de março. O artista produziu...

FOCO NO APRENDIZADO

Hoje em dia a busca por um melhor condicionamento na arte desenvolvida pelos famosos passistas de frevo, tem levado alguns praticantes a sair por ai pulando de aula em aula...

News - Guerreiros pretendem retornar às atividades abertas ao público ainda este ano/ Este site vai entrar em manutenção.

Guerreiros do Passo mantêm a mesma média de público

Cerca de 27 alunos participaram da oficina realizada pelos Guerreiros do Passo neste sábado, dia 04 de agosto. O Projeto vem mantendo uma boa média de participação durante os encontros, e a expectativa da diretoria é que este número deva se manter até o carnaval.
O Projeto Frevo na Praça é uma ação gratuita, direcionada a todo e qualquer interessado em fazer o passo do Frevo. A iniciativa acontece todos os sábados às 15 horas, na Praça Tertuliano Feitosa, no bairro do Hipódromo - Recife.

Agora é ele, o Frevo

ARTIGO
Passadas as festividades de meio de ano, começamos a nos inteirar dos assuntos referentes ao período mais esperado por foliões e amantes do passo pernambucano: o carnaval. E a nossa cidade tem um aspecto singular e ainda mais especial, é a detentora e responsável por uma dança e uma música feitas particularmente para a grande ocasião.

Agremiações escolhem seus temas, buscam recursos, grupos dão início aos ensaios, escolas inscrevem novos alunos e cursos brotam espalhados pela cidade com oficinas e projetos culturais do ritmo.

Nos seus mais de cem anos de formação, o frevo se consolidou não só como uma manifestação cíclica voltada para o carnaval, mas, sobretudo, se transformou numa identidade cultural representativa de um povo, condensadas em conquistas alimentadas por rebeldias, sofrimentos, alegrias, e na garra de gente que tem correndo nas veias mais do que sangue, coragem!

Seu nome alcançou diversos lugares e territórios, e hoje podemos afirmar que o frevo é uma expressão artística surpreendente, em constante transformação e difundida no mundo todo, graças a artistas que são verdadeiros embaixadores da arte pernambucana fora do Brasil. Destaco dois em especial, que há anos estando na Europa expandem de forma maravilhosa e com profissionalismo admirável o nosso frevo. São eles: o Adriano Rocha, mais conhecido pela denominação de Teco, e Carlos Frevo, com sua Locomotiva que arrasta uma legião de adeptos e apaixonados do ritmo.

Com toda sua história, é difícil acreditar que um componente cultural extremamente rico e monopolizado por diversas esferas do poder público como símbolo maior do lugar, possa sofrer tantas atribulações e dificuldades para continuar existindo. O frevo e seus fazedores não padecem ainda mais, porque deles sobressaem abnegados - muitas vezes chamados de loucos - que fazem de tudo para pôr em prática sua brincadeira, mesmo que lhes custe os poucos recursos disponíveis.

Os obstáculos são tão constrangedores que é preciso às vezes uma campanha para alguns grupos conseguirem apoio. E o ato de mendigar ajuda, chega ao ponto de coisas meramente essenciais, e o que poderia ser elementar para alcançar, transforma-se em um verdadeiro martírio. Sem mencionar outras instituições que vêm carregando há anos seus fardos pesados de incertezas e de dias melhores. Muitas, infelizmente, surgem com os dias contados para extinguir-se.

Por que tantos empecilhos no trato com a nossa cultura? E quais melhorias e benefícios teve o Frevo em se tornar Patrimônio Imaterial?

Fazendo uma comparação com as manifestações de outros Estados, e claro, respeitando suas características e dinâmicas próprias, percebemos do que é nosso vai perdendo cada vez mais de sua hegemonia histórica. No carnaval do Rio de Janeiro, por exemplo, com suas Escolas de Samba grandiosas e atributos exclusivos, não diminuiu em nada seu esplendor durante os anos. E mesmo passando por dramas recentes como incêndios que afetaram os barracões de algumas agremiações, não sofreu qualquer redução de sua estrutura e das verbas disponibilizadas para o evento. Pelo contrário, intensificaram não só o apoio das que foram danificadas, mas, também, ao conjunto das escolas que participam dos grupos Especial e de Acesso. Sem falar no retorno triunfante do carnaval de rua de lá, que a cada ano transforma-se em um fenômeno de crescimento e de participação popular.

O entendimento neste caso sempre foi o de fortalecer os que fazem a festa, sendo importante o incentivo para que sua grandiosidade gere resultados aos olhos do público, e, principalmente, produza renda aos integrantes e impostos ao governo. O saldo é uma folia exibida no mundo todo, valorizada, e com seus administradores satisfeitos por mais um ano de realização.

Passando pela Bahia, vemos que o seu festejo particular com trios elétricos fica mais pulsante ano a ano, e é um orgulho do seu povo e dos artistas, que citam o desenvolvimento do seu carnaval por meio de uma política eficiente de suporte aos que fazem a festa, e de incentivos dados às empresas que patrocinam o evento. Não entro no mérito se é uma folia feita através de cordão de isolamento e tal, pois, exigiria mais tempo aqui para desenvolver o assunto. Porém, uma coisa não podemos negar, o número de participação é incontestável.

Outro modelo de festividade que é um exemplo de exuberância, é o Festival Folclórico de Parintins na Amazônia. Tradição levada a sério, com a devida veneração à cultura popular, transformando a natureza rica daquele lugar em temas exibidos efusivamente em arena pública. Até os patrocinadores mudam as cores de suas marcas para se adequarem respeitosamente aos Bois Caprichoso e Garantido. Claro, há uma jogada de marketing nisso, com a nítida intenção de comercializar produtos tanto para uma torcida quanto para outra. Contudo, a ação não interfere no fenômeno espantoso de popularidade que a cada ano aumenta.

No nosso caso, e segundo algumas informações noticiosas, o Recife não perde em nada quando comparamos as atrações e festejos de outros estados, principalmente porque trazemos de lá, os mesmos artistas vistos nesses mesmos locais. Quando as pessoas viajam e vão conhecer outros lugares, suas festas e comemorações, esperam encontrar autênticas manifestações e a cultura rica do seu povo. Aqui, quando nos visitam, encontram as mesmas apresentações que eles encontrariam em seus próprios lugares de origem. Pode ser até uma programação multicultural, mas, faz tempo que não acrescenta em nada de nossa legítima tradição.

Quem comparece ao Marco Zero, vê uma multidão espremida para assistir as grandes atrações nacionais, pagas pontualmente com recursos vultosos, enquanto os artistas e grupos locais, além de implorar para receber seus míseros cachês em oito ou dez meses depois da festa, testemunham o completo descaso que é dado ao conjunto de nossas corporações carnavalescas.

Por outro lado, a imagem vendida ao público é proporcionalmente inversa a realidade, e quem acompanha os meandros culturais da terra, não concorda com isso, e se assusta com o desaparecimento de troças, clubes e blocos. Muitos deles tradicionalíssimos, e os que ainda sobrevivem, habituaram-se a um cortejo de passarela realizada altas horas da noite, sem repercussão e sem apresentar o mesmo brilho e empolgação de anos passados. Alguns se tornam parasitas, se vendendo a políticos para continuar sobrevivendo. Sem contar que a história carnavalesca por vezes é tão violentada, que as poucas agremiações que saem às ruas, e as novas que hoje nascem, estão modificando-se estruturalmente e perdendo sua denominação de costume. Tudo vira bloco, bloco disso, bloco daquilo, esquecendo-se que os verdadeiros blocos do nosso carnaval são os líricos, sem ter nenhuma semelhança com o termo pejorativo em moda.

Muitas dessas aberrações vão tirando o pouco do que resta de nossa emblemática festa. As orquestras estão sendo substituídas por carros de som e mini trios; os Porta-estandartes trocados por meros carregadores; as fantasias e os temas alegóricos se resumem agora a um simples e grosseiro abadá, e mesmo assim, para serem confeccionados, inserem tantas marcas de patrocínio, que parecem mais uma vestimenta de piloto de Fórmula 1.

Mas isso não importa! O que nossos dirigentes querem é realizar ações direcionadas apenas para chamar a atenção dos grandes palcos principais e fazer-nos esquecer de onde poderia haver um maior investimento. Enquanto isso, os grupos, artistas e agremiações que residem em bairros afastados do grande show, ao mesmo tempo que padecem para continuar sobrevivendo, permanecem sendo ainda focos legítimos de resistência da tradicional e real festa popular pernambucana.

Viva o Frevo!
Eduardo Araújo

Projeto Frevo na Praça continua empolgando

O segundo encontro do Projeto Frevo na Praça ocorrido no último sábado (dia 28), recebeu a mesma média de público registrada na oficina anterior. Cerca de 25 participantes estiveram presentes e puderam fazer os diversos passos do frevo comandado pelos instrutores do grupo. O projeto dos Guerreiros do Passo acontece todos os sábados na Praça Tertuliano Feitosa no bairro do Hipódromo, começando sempre às 15 horas. 

RECONHECIMENTO - Guerreiros do Passo recebem mais um registro em obra literária

GRUPO COMEMORA MAIS UMA PASSAGEM IMPORTANTE NA SUA TRAJETÓRIA
Foi lançado no Recife na segunda-feira, dia 23 de julho de 2012, o livro Arte-Educação: História e Práxis Pedagógica - Territórios Híbridos e Diálogos entre Linguagens. A obra de responsabilidade da Editora SESC, reúne entre outros trabalhos, um resumo da monografia de Lucélia Albuquerque de Queiroz, que focaliza o grupo Guerreiros do Passo como tema central de um trabalho que fez parte da conclusão de sua Especialização em História da Cultura Pernambucana pela Faculdade FAFIRE.
Com o título Guerreiros do Passo: Multiplicar para resistir, a arte-educadora Lucélia, apresenta um estudo sobre a instituição que há alguns anos vem mantendo atividades gratuitas de dança, utilizando a metodologia do Mestre Nascimento do Passo, através de um projeto cultural comandado por quatro discípulos dele. O livro de 316 páginas, destaca em cinco folhas o texto sobre os Guerreiros.

O lançamento da publicação ocorreu no III Seminário Nacional de Arte-Educação, que aconteceu entre os dias 23 a 27 do mês, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da UFPE.

Organizado por Rudimar Constâncio, a obra reúne 20 ensaios, escritos por professores, mestres, doutores e especialistas, que ministraram palestras, conferencias e cursos no II Seminário Nacional de Arte-Educação realizado em 2010, cujo eixo temático foi “Arte-Educação: História e Práxis Pedagógica”.

A partir de agora, somam-se quatro publicações em que os Guerreiros recebem menção sobre suas atividades. O primeiro foi o livro produzido pela Prefeitura do Recife: Frevo - 100 anos de Foliacomemorando a passagem do centenário do ritmo em 2007; o segundo é o da pesquisadora Valéria Vicente, Entre a ponta de pé e o calcanhar, lançado em fevereiro de 2010; o terceiro, “Frevo: síntese do Dossiê de Candidatura”, da autora Carmem Lélis, de 2011, que recebeu a organização da Fundação de Cultura do Recife.

Com mais este registro, os Guerreiros estão orgulhosos pelo fato, mas, acima de tudo, é uma demonstração do compromisso profissional que estes abnegados amantes da dança têm pelo frevo, pela história do Mestre Nascimento do Passo e uma prova que estão no caminho certo.

Vida longa aos Guerreiros do Passo!

Guerreiros do Passo retornam com força total às aulas

O reinicio das atividades dos Guerreiros do Passo na Praça do Hipódromo foi melhor do que o programado. Cerca de 30 participantes fizeram o passo rasgado com muita alegria e descontração, surpreendendo pelo número expressivo de passistas. O comando do Professor Ricardo Napoleão foi fundamental para o sucesso da aula, tendo o auxílio da Professora Lucélia Albuquerque e do Preparador físico Alex Pontes. O instrutor de capoeira José Cabral (Elástico) e o Contra-Mestre Julio Fortunato (Borracha) comandaram a parte seguinte da oficina, ensinando os movimentos de sua arte. O local recebeu ainda a presença do carnavalesco Josué Francisco e do ilustre compositor e folião Luiz Gonzaga Castro.
As oficinas acontecerão normalmente aos sábados até o carnaval, e a expectativa da diretoria é receber cada vez mais alunos, com a possibilidade de ampliação do projeto para acontecer inclusive durante a semana.

PAÇO DO FREVO

Seguinte...

Em fins de 2010, começo de 2011, a Prefeitura da Cidade do Recife e a Fundação Roberto Marinho passaram o pires entre as Agremiações Carnavalescas de Pernambuco, pedindo doações para o acervo do Paço do Frevo, museu que “está em fase de implantação na cidade do Recife”.

Na correspondência, “que está sendo enviada para todas as Agremiações”, deixavam claro o interesse que tinham pelo valor que davam a história das agremiações (“informações”) e para materiais tais como “estandarte ou flabelo”,  “fotos dos desfiles, dos membros que fazem parte da Agremiação, das pessoas trabalhando para fazer as roupas, os adereços, as rifas, as festas, as reuniões etc, documentos, letras de música, cópias de atas de reunião, vídeos caseiros, e carteirinhas”.

Ameaçavam excluir do projeto aquelas que “não enviarem a resposta desse (sic) questionário até o dia 5 de outubro” e prometiam, àquelas que doassem um “estandarte ou flabelo”,  “uma ajuda de custo no valor de R$ 300,00 (trezentos reais) para que a Agremiação possa fazer um novo”.

Anexaram ainda um Termo a ser assinado pelo Presidente da Agremiação, pelo qual “ autorizo graciosamente”, “em caráter irrevogável e irretratável”,  “utilizar as imagens, documentos e informações” e o “uso de todo o material”, “na forma descrita acima, ou seja, composição do acervo do museu, bem como sua veiculação em material de divulgação, eventualmente sublicenciadas”, “sem limitação de tempo ou de número de utilizações/exibições”.

Segundo o documento (veja abaixo), faziam parte desta empreitada, um verdadeiro assalto ao patrimônio material e imaterial das agremiações carnavalescas, “o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) e do Governo do Estado de Pernambuco com o apoio do Grupo Camargo Corrêa, da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), da Votorantim, do Banco Itaú, da Globo, do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério da Cultura e Lei de Incentivo à Cultura”.

É isso aí!

O elo mais frágil da cadeia produtiva (“cluster”) da cultura, as Agremiações Carnavalescas, que sobrevivem a duras penas das migalhas do butim do assalto aos cofres públicos promovido diuturnamente pelos ... sendo induzidas (coagidas?) pela Prefeitura da Cidade do Recife a patrocinar um projeto das onipotentes Organizações Globo. Era só o que faltava! É pra rir ou pra chorar?

Mas... tem mais.

Em matéria publicada no dia 16.07.2012, às 16h09, sob o título “Burocracia e falta de interesse atrasam projetos culturais em Pernambuco”, o JC Online informa que, “De acordo com a Prefeitura do Recife, o município investiu  RS 2,8 milhões (contrapartida)  no projeto, que foram gastos com a desapropriação do prédio e com a compra de acervo, mobiliário e equipamentos. O restante dos recursos (R$ 11,7 milhões) foi bancado pelos patrocinadores.”

Já que perguntar não ofende, perguntamos à Prefeitura: Quanto (total) foi gasto com as doações (desculpem o paradoxo)? Quem (nome, CPF/CNPJ) doou o quê? Quanto (R$) foi pago pela doação?

E perguntamos a cada uma das Agremiações eventualmente contatadas: O que você doou? Quando? Quanto ganhou? Serviu pra quê?

Humberto Maia

Guerreiros do Passo novamente em ação

No próximo sábado dia 21 de julho, os professores dos Guerreiros do Passo retomam suas atividades na Praça Tertuliano Feitosa, no Hipódromo. A paralisação foi necessária para um bom descanso, e no momento em que não aconteceram os trabalhos, o local permaneceu e ainda está, passando por uma reforma de recuperação e adequação de sua estrutura física.

O segundo semestre recomeça com força total, e a expectativa é de um período bastante movimentado para os participantes, inclusive, para o grupo de dança, que retomam os ensaios para as próximas apresentações. 

Sempre é preciso lembrar a importância da leitura do Regulamento que rege as atividades do grupo, disponível aqui no site. Os encontros começam às 15 horas.

Festa junina de hoje

Nossos festejos não são mais como antes, estão se transformando nos carnavais modernos, estáticos, de palco. Nas cidades afora não se vê mais aquela festa tradicional e não menos deliciosa de se brincar, de se deleitar com tantas simbologias clássicas do nosso povo nordestino. Todos são convocados para a Praça principal, com indivíduos atraídos a centros públicos de shows para ver bandas que se assemelham com verdadeiros espetáculos sensuais e apelativos. Claro, existem algumas exceções e focos resistentes, e é preciso louvar essas iniciativas.   

Nos subúrbios, não se pode mais apreciar os arraiais que eram erguidos para a comunidade festejar, muitos, calabouços festivos de namoros e romances eternos.  Alguns ainda guardam as lembranças de um tempo recente, de brilho, de alegria. Hoje, mantêm apenas as sedes de quadrilhas que atualmente só são produzidas por disputa, concursos. Muitas delas se parecem mais com alegorias de qualquer escola de samba, e não me admiro que mais tarde tenham suas alas e carros característicos. E observem que sou um folião de carnaval, mas não gostaria de ver os ciclos se misturarem, com uma intenção de transformar as tradições em pretexto de lucros e de fazer números de participação popular para levantamentos políticos.

Podem até me chamar de conservador e ultrapassado, apesar de manter ainda na mente as lembranças de um São João de menino, vivo entre meus pensamentos, e que afirmo ser contemporâneo e atual. Quem pode dizer que o amor é ultrapassado? Ele é tão antigo quanto os festejos da humanidade e não cai de moda mesmo com os progressos do homem.

Já se pode ouvir falar atualmente na organização de diversas reuniões de amigos em ruas, garagens ou em quintais para formar seus grupos matutos e arrasta-pés descontraídos. Será que todos estes são saudosistas? Ou só querem novamente fazer voltar e sentir uma festa realmente de participação popular e autêntica? Talvez seja uma resposta as excrescentes modificações que foram impostas à cultura da região.

Sou simpatizante do período junino nos moldes que aprendi ser legítimo, e creio que não seja apenas meu, mas seu, de Pernambuco, do Brasil. Viva o mês de junho, viva São João e São Pedro, nem que seja simplesmente na mente.

Eduardo Araújo

Da existência do Frevo e do Passo

Por Leonardo Dantas
Em todos os carnavais aparecem sempre os estudiosos com novas teorias sobre este ou aquele aspecto.
No ano passado foi a tentativa de criação de um chamado Frevo de Palco, quando melhor se aplicaria a expressão já consagrada de Frevo Sinfônico, para justificar o andamento e apresentação dos três vencedores na categoria de “Frevo de Rua” no concurso da Prefeitura do Recife para 2011.
Agora surgem as opiniões da dispensável presença do passista nas apresentações do frevo instrumental (!).
Seria um frevo só para ser ouvido, assistido ordeiramente como se estivéssemos no Carnegie Hall de Nova Iorque,  nunca dançado (!)
 
Trata-se, segundo Guerra Peixe, de uma característica do frevo instrumental, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados, mas que cada um executa a sua maneira”.

Dentre os muitos gêneros do frevo, o frevo-de-rua, é o de maior importância, pela sua identidade coreográfica com o passo. É nele que o compositor vem demonstrar todo o seu conhecimento musical, a sua forma de compor e de criar frases utilizando-se dos metais (trombones, trompetes, tubas) em constante diálogo com as palhetas (clarinetos, requinta, saxofones) de uma orquestra de ritmos carnavalescos.

Acompanhando o seu andamento e fraseados, bem como os cantos e contracantos entre palhetas e metais, o passista (dançarino do frevo) cria, no ato, a sua coreografia própria, sem, contudo, agredir o que o compositor escreveu na pauta musical, segundo ensina Guerra-Peixe, “é a única dança que o dançarino dança a orquestração”.
 
O frevo tem tantos passos quanto a inventiva do passista permitir, desde que sua coreografia venha obedecer ao andamento da orquestração da partitura que está sendo executada pela orquestra ou banda de música.  
 
No passado, em 1976, em pesquisa realizada com os passistas “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), e Coruja (Arnaldo Francisco das Neves), este músico ritmista (pandeiro) e festejado passista do carnaval do Recife, relacionamos e catalogamos, em trabalho conjunto com a Prof. Jurandy Austermann, da Equipe do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco, 48 passos, sem contar com os do porta-estandarte, 21 dos quais foram detalhados na publicação Ritmos e Danças – Frevo 2, do mesmo Departamento(¹)
 
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
 
O festejado escritor Mário de Andrade (1893-1945), em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo instrumental sintetiza:
 
A vibração paroxística do frevo é realmente uma coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro allegro num presto nacional.  É, sem dúvida, o entusiasmo, a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música nacional. E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza! Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória que o país ignora, simplesmente porque entre nós são muito raros os que têm verdadeira convicção de cultura.(²)

Daí a afirmativa de Capiba, em um dos seus mais conhecidos frevos-canção:

Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
É maracatu, não!
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda
Quero ver dizer…
É uma dança
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem! (³)
 
Mas, para o folião endiabrado, aquele que vê no frevo uma válvula de escape do extravasamento de sua alegria, ou, como na receita de Luiz Bandeira, “quem é de fato um bom pernambucano, espera um ano e se mete na brincadeira”, ficam os versos do poeta Austro Costa:

Não sei se devo, ou não devo 
Dizer, mas digo afinal:
Se até Roma fosse o Frevo, 
Teria a Bênção Papal!
___________________
 1) DANTAS-SILVA, Leonardo. Ritmos e danças – Frevo. Recife: Governo do Estado de Pernambuco; MEC – FUNARTE, 1978. 44 p. il. Contém um disco com seis frevos-de-rua.
2) OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1971.  p. 119.
3) CAPIBA. É frevo meu bem. Frevo-canção. Continental nº 16322 matriz 2426. Carmélia Alves, orquestra e coro, lançado em janeiro de 1951.

Leia alguns comentários sobre este texto na publicação do site Besta Fubana.

A DANÇA DE PERNAMBUCO

Publicado no site Besta Fubana.
Por LEONARDO DANTAS
Com o advento da abolição da escravatura negra (1888), e o surgimento da República (1889), tornaram-se mais frequentes o aparecimento de novos clubes carnavalescos, com todos os elementos integrantes dos desfiles militares acrescidos da influência das procissões religiosas; como é o caso do estandarte, uma cópia dos pendões das corporações profissionais e das irmandades e confrarias, hoje símbolo quase da maior parte das agremiações carnavalescas.

Oriundos de grupos profissionais de operários urbanos, os Clubes Carnavalescos Vassourinhas (1889), das Pás (1890), Lenhadores (1897), Pão Duro (1916), Toureiros de Santo Antônio (1916), Prato Misterioso (1919), além de outros mais recentes, chegaram até os nossos dias. Outros, porém, como Caiadores, Empalhadores, Operários, Jornaleiros, Suineiros, Quitandeiras, não mais existem.
 
As rivalidades entre as agremiações sempre foram uma constante no carnaval de Pernambuco. Com tal clima e elementos, os capoeiras, “brabos” e “valentões” passaram a praticar “exercícios de capoeiragem” em frente aos cordões carnavalescos - A Pimenta (1901). Tais exibições de capoeiragem quando nada redundavam em agressões, como a narrada pelo Jornal Pequeno, de fevereiro de 1907, em que foi vítima o diretor do Clube Carnavalesco Tome Farofa.
 
Procurando esconder-se das perseguições dos Chefes de Polícia, o nosso capoeira foi maneirando os seus passos - “rabos de arraia”, “pernadas”, “cabeçadas”, “pisões”, etc – criando assim uma coreografia própria de modo a acompanhar a “onda”. Nesta coreografia, onde não foi desprezada totalmente a agressividade, foram aparecendo passos que, por determinadas semelhanças, passaram a possuir denominações próprias.
 
O capoeira de ontem originou o passista de hoje: Camisa multicolorida, aberta no peito e amarrada na cintura, ou ainda camisa de malha com três cores; sapato tênis branco; bermuda ou calça arregaçada; chapéu de palha e um “chapéu-de-sol” desbotado a complementar a indumentária; bem dentro da descrição do nosso Capiba:
 
De chapéu-de-sol aberto
Pelas ruas, eu vou…
A multidão me acompanha…
Eu vou!…
Eu vou e venho, pra onde não sei
Só sei que carrego alegria,
Pra dar e vender!
 
Três goles de cachaça, um “frevo rasgado” oriundo de uma fanfarra, bastam para transmudar esse homem num demônio, que até parece ter  o “diabo no couro”, tal o número de complicados passos que passa a fazer.
 
A exemplo de seus ancestrais, traz quase sempre um chapéu-de-sol na mão, alguns até sem pano (“sombrinhas borboletas”), como um remanescente do cacete ou da bengala dos tempos idos.
 
Quando nos cordões dos clubes ou troças, os passistas envergam um bastão encimado pelo distintivo da agremiação – machado, vassouras, pás, prato, ave, bacia, etc – dependendo pertencer ele ao Lenhadores, Vassourinhas, Pás Douradas, Prato Misterioso, Papagaio Falador ou Lavadeiras de Areias. Mas nos cordões o “passo rasgado” é raro, a coreografia obedece mais a uma evolução não dando margem a grandes criações; estas ficam por conta dos grupos e passistas, alguns especialmente contratados, que acompanham a agremiação.
 
Os passistas modernos, geralmente formando uma ala especial nas grandes agremiações, passaram a usar sombrinhas coloridas de 50 centímetros de comprimento por 60 de diâmetro, a fim de facilitar passos que são verdadeiras acrobacias: “vôo da andorinha”, “tesoura no ar”, “coice de burro”, “tesoura cruzando”, “canguru”, “tesoura passando a sombrinha”, “trem de ferro”, dentre outros.
 
Os chamados “Concursos de Passo”, desenvolvido pelos jornais e posteriormente pelas emissoras de rádio e televisão, vieram incentivar a criatividade dos passistas. Assim despontaram, chegando a fazer escola, Egídio Bezerra, hoje falecido, mas em sua época conhecido como o “Rei do Passo”, “Sete Molas”, “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), “Coruja”, (Arnaldo Francisco das Neves), que vieram a ser professores de “Pipoca”, Antúlio Madureira, “Meia-Noite” e tantos outros representantes da nova geração de passistas.
 
“No mar do frevo, cada peixinho nada de seu jeito” – diz com muita propriedade Luís da Câmara Cascudo, em depoimento pessoal, acrescentando: “Frevo, glória pernambucana, autêntico, positivo, real, nas músicas de sua dinâmica contagiante e mágica. No passo, cada bailarino executa ad libitum a reação mímica da interpretação pessoal. Música determinante de agilidades inesperadas, piruetas famosas, na sombra simbólica da sombrinhas borboletas”.
 
Este é segundo Guerra Peixe  uma outra característica do frevo, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados , mas que cada um executa a sua maneira” (¹).
 
A afirmação do grande musicista fluminense, que por alguns anos pesquisou o Carnaval do Recife, porém, não se aplica a certos “professores”, “mestres” como se autodenominam, das escolas de passo dos nossos dias, mais para balé de teatro de revista do que mesmo para o verdadeiro passo pernambucano.
 
Empolgados com elogios dos desavisados, mequetrefes das mais caras e verdadeiras tradições do carnaval pernambucano, nem de longe acompanham a orquestração da partitura original, põem-se a dar pinotes, numa coreografia mais próxima da ginástica aeróbica de alto impacto, numa demonstração inconsequente de uma sucessão de falsas acrobacias, quando a orquestra está a executar um solo de requinta ou saxofones. Em tais demonstrações, numa total e absoluta heresia, chegam esses “mestres” a exibir passos característicos dos frevos-de-rua na parte vocal de um frevo-canção (!).

É demais!

O frevo tem tantos passos quanto a inventiva do passista permitir, desde que sua coreografia venha obedecer ao andamento da orquestração da partitura que está sendo executada pela orquestra ou banda de música.  No passado, em 1976, em pesquisa realizada com o próprio “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), ainda na sua pureza de artista popular,  e Coruja (Arnaldo Francisco das Neves), este músico ritmista (pandeiro) e festejado passista do carnaval do Recife, relacionamos e catalogamos, em trabalho conjunto com a Prof.  Jurandy Austermann, da Equipe do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco,  48 passos, sem contar com os do porta-estandarte, 21 dos quais foram detalhados na publicação Ritmos e Danças – Frevo 2, do mesmo Departamento (²)
 
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
 
Mário de Andrade, em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo sintetiza:
A vibração paroxística do frevo é realmente uma coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro allegro num presto nacional.  É, sem dúvida, o entusiasmo, a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música nacional. E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza! Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória que o país ignora, simplesmente porque entre nós são muito raros os que têm verdadeira convicção de cultura (³)

 Daí a afirmativa de Capiba, em um dos seus mais conhecidos frevos-canção:

Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
É maracatu, não!
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda, não!
Quero ver dizer…
É uma dança
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem!
_______________
1) GUERRA-PEIXE, César. art. cit.
2) SILVA,  Leonardo Dantas. Ritmos e danças – Frevo. Recife: Governo do Estado de Pernambuco; MEC – FUNARTE, 1978. 44 p. il. Contém um disco com seis frevos-de-rua.
3) OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1971.  p. 119.