O segundo encontro do
Projeto Frevo na Praça ocorrido no último sábado (dia 28), recebeu a mesma
média de público registrada na oficina anterior. Cerca de 25 participantes
estiveram presentes e puderam fazer os diversos passos do frevo comandado pelos instrutores do grupo. O projeto dos Guerreiros do Passo acontece todos
os sábados na Praça Tertuliano Feitosa no bairro do Hipódromo, começando
sempre às 15 horas.
NAS AULAS DOS GUERREIROS A GRANDE ESTRELA É O FREVO!
Veja algumas imagens e tire suas próprias conclusões.
UNIÃO ENTRE PASSISTAS, É POSSÍVEL?
OPINIÃO. Fala-se muito da necessidade de ver um dia a tão esperada união entre os passistas de frevo.
A FORÇA DA CAMISA AZUL
Nas aulas do Projeto Frevo na Praça, já foi possível observar que os professores dos Guerreiros do Passo, utilizam nos seus encontros semanais no bairro do Hipódromo...
MAX LEVAY REGISTRA OS GUERREIROS DO PASSO
O pernambucano Max Levay, profissional de reconhecido talento da arte da fotografia, fez um bonito registro dos Guerreiros do Passo no último mês de março. O artista produziu...
FOCO NO APRENDIZADO
Hoje em dia a busca por um melhor condicionamento na arte desenvolvida pelos famosos passistas de frevo, tem levado alguns praticantes a sair por ai pulando de aula em aula...
RECONHECIMENTO - Guerreiros do Passo recebem mais um registro em obra literária
GRUPO COMEMORA
MAIS UMA PASSAGEM IMPORTANTE NA SUA TRAJETÓRIA
Foi lançado no Recife
na segunda-feira, dia 23 de julho de 2012, o livro Arte-Educação:
História e Práxis Pedagógica - Territórios Híbridos e
Diálogos entre Linguagens. A obra de responsabilidade da Editora
SESC, reúne entre outros trabalhos, um resumo da monografia de Lucélia
Albuquerque de Queiroz, que focaliza o grupo Guerreiros do Passo como tema central
de um trabalho que fez parte da conclusão de sua Especialização em História da
Cultura Pernambucana pela Faculdade FAFIRE.
Com o título Guerreiros do Passo: Multiplicar para resistir, a arte-educadora Lucélia, apresenta um estudo sobre a instituição que há alguns anos vem mantendo atividades gratuitas de dança, utilizando a metodologia do Mestre Nascimento do Passo, através de um projeto cultural comandado por quatro discípulos dele. O livro de 316 páginas, destaca em cinco folhas o texto sobre os Guerreiros.
Foi lançado no Recife
na segunda-feira, dia 23 de julho de 2012, o livro Arte-Educação:
História e Práxis Pedagógica - Territórios Híbridos e
Diálogos entre Linguagens. A obra de responsabilidade da Editora
SESC, reúne entre outros trabalhos, um resumo da monografia de Lucélia
Albuquerque de Queiroz, que focaliza o grupo Guerreiros do Passo como tema central
de um trabalho que fez parte da conclusão de sua Especialização em História da
Cultura Pernambucana pela Faculdade FAFIRE.Com o título Guerreiros do Passo: Multiplicar para resistir, a arte-educadora Lucélia, apresenta um estudo sobre a instituição que há alguns anos vem mantendo atividades gratuitas de dança, utilizando a metodologia do Mestre Nascimento do Passo, através de um projeto cultural comandado por quatro discípulos dele. O livro de 316 páginas, destaca em cinco folhas o texto sobre os Guerreiros.
O lançamento da
publicação ocorreu no III Seminário Nacional de Arte-Educação, que aconteceu entre os dias 23 a 27 do mês, no Centro de Ciências Sociais
Aplicadas (CCSA) da UFPE.
Organizado por Rudimar
Constâncio, a obra reúne 20 ensaios, escritos por professores, mestres,
doutores e especialistas, que ministraram palestras, conferencias e cursos no
II Seminário Nacional de Arte-Educação realizado em 2010, cujo eixo temático
foi “Arte-Educação: História e Práxis Pedagógica”.
A partir de agora, somam-se
quatro publicações em que os Guerreiros recebem menção sobre suas atividades. O
primeiro foi o livro produzido pela Prefeitura do Recife: Frevo -
100 anos de Folia, comemorando a passagem do
centenário do ritmo em 2007; o segundo é o da pesquisadora Valéria
Vicente, Entre a ponta de pé e o calcanhar, lançado em
fevereiro de 2010; o terceiro, “Frevo: síntese do Dossiê de Candidatura”,
da autora Carmem Lélis, de 2011, que recebeu a organização da Fundação de Cultura
do Recife.
Com mais este registro,
os Guerreiros estão orgulhosos pelo fato, mas, acima de tudo, é uma demonstração
do compromisso profissional que estes abnegados amantes da dança têm pelo frevo, pela história do Mestre Nascimento do Passo e uma prova que estão no caminho
certo.
Vida longa aos Guerreiros do Passo!
Guerreiros do Passo retornam com força total às aulas
O reinicio das atividades dos
Guerreiros do Passo na Praça do Hipódromo foi melhor do que o programado. Cerca
de 30 participantes fizeram o passo
rasgado com muita alegria e descontração, surpreendendo pelo número expressivo de
passistas. O comando do Professor Ricardo Napoleão foi fundamental para o sucesso
da aula, tendo o auxílio da Professora Lucélia Albuquerque e do Preparador físico
Alex Pontes. O instrutor de capoeira José Cabral (Elástico) e o Contra-Mestre Julio Fortunato (Borracha) comandaram a parte seguinte da oficina, ensinando os movimentos de sua arte. O local recebeu ainda a presença do
carnavalesco Josué Francisco e do ilustre compositor e folião Luiz Gonzaga Castro.
As oficinas acontecerão normalmente aos
sábados até o carnaval, e a expectativa da diretoria é receber cada vez mais
alunos, com a possibilidade de ampliação do projeto para acontecer inclusive
durante a semana.
PAÇO DO FREVO
Seguinte...
Em fins de 2010, começo de 2011, a Prefeitura da Cidade do Recife e a Fundação Roberto Marinho passaram o pires entre as Agremiações Carnavalescas de Pernambuco, pedindo doações para o acervo do Paço do Frevo, museu que “está em fase de implantação na cidade do Recife”.
Na correspondência, “que está sendo enviada para todas as Agremiações”, deixavam claro o interesse que tinham pelo valor que davam a história das agremiações (“informações”) e para materiais tais como “estandarte ou flabelo”, “fotos dos desfiles, dos membros que fazem parte da Agremiação, das pessoas trabalhando para fazer as roupas, os adereços, as rifas, as festas, as reuniões etc, documentos, letras de música, cópias de atas de reunião, vídeos caseiros, e carteirinhas”.
Ameaçavam excluir do projeto aquelas que “não enviarem a resposta desse (sic) questionário até o dia 5 de outubro” e prometiam, àquelas que doassem um “estandarte ou flabelo”, “uma ajuda de custo no valor de R$ 300,00 (trezentos reais) para que a Agremiação possa fazer um novo”.
Anexaram ainda um Termo a ser assinado pelo Presidente da Agremiação, pelo qual “ autorizo graciosamente”, “em caráter irrevogável e irretratável”, “utilizar as imagens, documentos e informações” e o “uso de todo o material”, “na forma descrita acima, ou seja, composição do acervo do museu, bem como sua veiculação em material de divulgação, eventualmente sublicenciadas”, “sem limitação de tempo ou de número de utilizações/exibições”.
Segundo o documento (veja abaixo), faziam parte desta empreitada, um verdadeiro assalto ao patrimônio material e imaterial das agremiações carnavalescas, “o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) e do Governo do Estado de Pernambuco com o apoio do Grupo Camargo Corrêa, da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), da Votorantim, do Banco Itaú, da Globo, do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério da Cultura e Lei de Incentivo à Cultura”.
É isso aí!
O elo mais frágil da cadeia produtiva (“cluster”) da cultura, as Agremiações Carnavalescas, que sobrevivem a duras penas das migalhas do butim do assalto aos cofres públicos promovido diuturnamente pelos ... sendo induzidas (coagidas?) pela Prefeitura da Cidade do Recife a patrocinar um projeto das onipotentes Organizações Globo. Era só o que faltava! É pra rir ou pra chorar?
Mas... tem mais.
Em matéria publicada no dia 16.07.2012, às 16h09, sob o título “Burocracia e falta de interesse atrasam projetos culturais em Pernambuco”, o JC Online informa que, “De acordo com a Prefeitura do Recife, o município investiu RS 2,8 milhões (contrapartida) no projeto, que foram gastos com a desapropriação do prédio e com a compra de acervo, mobiliário e equipamentos. O restante dos recursos (R$ 11,7 milhões) foi bancado pelos patrocinadores.”
Já que perguntar não ofende, perguntamos à Prefeitura: Quanto (total) foi gasto com as doações (desculpem o paradoxo)? Quem (nome, CPF/CNPJ) doou o quê? Quanto (R$) foi pago pela doação?
E perguntamos a cada uma das Agremiações eventualmente contatadas: O que você doou? Quando? Quanto ganhou? Serviu pra quê?
Humberto Maia
Em fins de 2010, começo de 2011, a Prefeitura da Cidade do Recife e a Fundação Roberto Marinho passaram o pires entre as Agremiações Carnavalescas de Pernambuco, pedindo doações para o acervo do Paço do Frevo, museu que “está em fase de implantação na cidade do Recife”.
Na correspondência, “que está sendo enviada para todas as Agremiações”, deixavam claro o interesse que tinham pelo valor que davam a história das agremiações (“informações”) e para materiais tais como “estandarte ou flabelo”, “fotos dos desfiles, dos membros que fazem parte da Agremiação, das pessoas trabalhando para fazer as roupas, os adereços, as rifas, as festas, as reuniões etc, documentos, letras de música, cópias de atas de reunião, vídeos caseiros, e carteirinhas”.
Ameaçavam excluir do projeto aquelas que “não enviarem a resposta desse (sic) questionário até o dia 5 de outubro” e prometiam, àquelas que doassem um “estandarte ou flabelo”, “uma ajuda de custo no valor de R$ 300,00 (trezentos reais) para que a Agremiação possa fazer um novo”.
Anexaram ainda um Termo a ser assinado pelo Presidente da Agremiação, pelo qual “ autorizo graciosamente”, “em caráter irrevogável e irretratável”, “utilizar as imagens, documentos e informações” e o “uso de todo o material”, “na forma descrita acima, ou seja, composição do acervo do museu, bem como sua veiculação em material de divulgação, eventualmente sublicenciadas”, “sem limitação de tempo ou de número de utilizações/exibições”.
Segundo o documento (veja abaixo), faziam parte desta empreitada, um verdadeiro assalto ao patrimônio material e imaterial das agremiações carnavalescas, “o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Empresa de Turismo de Pernambuco (EMPETUR) e do Governo do Estado de Pernambuco com o apoio do Grupo Camargo Corrêa, da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), da Votorantim, do Banco Itaú, da Globo, do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) e do Ministério da Cultura e Lei de Incentivo à Cultura”.
É isso aí!
O elo mais frágil da cadeia produtiva (“cluster”) da cultura, as Agremiações Carnavalescas, que sobrevivem a duras penas das migalhas do butim do assalto aos cofres públicos promovido diuturnamente pelos ... sendo induzidas (coagidas?) pela Prefeitura da Cidade do Recife a patrocinar um projeto das onipotentes Organizações Globo. Era só o que faltava! É pra rir ou pra chorar?
Mas... tem mais.
Em matéria publicada no dia 16.07.2012, às 16h09, sob o título “Burocracia e falta de interesse atrasam projetos culturais em Pernambuco”, o JC Online informa que, “De acordo com a Prefeitura do Recife, o município investiu RS 2,8 milhões (contrapartida) no projeto, que foram gastos com a desapropriação do prédio e com a compra de acervo, mobiliário e equipamentos. O restante dos recursos (R$ 11,7 milhões) foi bancado pelos patrocinadores.”
Já que perguntar não ofende, perguntamos à Prefeitura: Quanto (total) foi gasto com as doações (desculpem o paradoxo)? Quem (nome, CPF/CNPJ) doou o quê? Quanto (R$) foi pago pela doação?
E perguntamos a cada uma das Agremiações eventualmente contatadas: O que você doou? Quando? Quanto ganhou? Serviu pra quê?
Humberto Maia
Guerreiros do Passo novamente em ação
No próximo sábado dia 21 de julho, os professores dos Guerreiros do Passo retomam suas atividades na Praça Tertuliano Feitosa, no Hipódromo. A paralisação foi necessária para um bom descanso, e no momento em que não aconteceram os trabalhos, o local permaneceu e ainda está, passando por uma reforma de recuperação e adequação de sua estrutura física.
O segundo semestre recomeça com força total, e a expectativa é de um período bastante movimentado para os participantes, inclusive, para o grupo de dança, que retomam os ensaios para as próximas apresentações.
Sempre é preciso lembrar a importância da leitura do Regulamento que rege as atividades do grupo, disponível aqui no site. Os encontros começam às 15 horas.
Sempre é preciso lembrar a importância da leitura do Regulamento que rege as atividades do grupo, disponível aqui no site. Os encontros começam às 15 horas.
Festa junina de hoje
Nossos festejos não são
mais como antes, estão se transformando nos carnavais modernos, estáticos, de
palco. Nas cidades afora não se vê mais aquela festa tradicional e não menos deliciosa
de se brincar, de se deleitar com tantas simbologias clássicas do nosso povo nordestino.
Todos são convocados para a Praça principal, com indivíduos atraídos a centros
públicos de shows para ver bandas que se assemelham com verdadeiros espetáculos
sensuais e apelativos. Claro, existem algumas exceções e focos resistentes, e é
preciso louvar essas iniciativas.
Nos subúrbios, não se
pode mais apreciar os arraiais que eram erguidos para a comunidade festejar,
muitos, calabouços festivos de namoros e romances eternos. Alguns ainda guardam as lembranças de um
tempo recente, de brilho, de alegria. Hoje, mantêm apenas as sedes de quadrilhas
que atualmente só são produzidas por disputa, concursos. Muitas delas se
parecem mais com alegorias de qualquer escola de samba, e não me admiro que
mais tarde tenham suas alas e carros característicos. E observem que sou um
folião de carnaval, mas não gostaria de ver os ciclos se misturarem, com uma intenção
de transformar as tradições em pretexto de lucros e de fazer números de participação
popular para levantamentos políticos.
Podem até me chamar de conservador e ultrapassado, apesar de manter ainda na mente as lembranças de um São João de menino, vivo entre meus pensamentos, e que afirmo ser contemporâneo e atual. Quem pode dizer que o amor é ultrapassado? Ele é tão antigo quanto os festejos da humanidade e não cai de moda mesmo com os progressos do homem.
Podem até me chamar de conservador e ultrapassado, apesar de manter ainda na mente as lembranças de um São João de menino, vivo entre meus pensamentos, e que afirmo ser contemporâneo e atual. Quem pode dizer que o amor é ultrapassado? Ele é tão antigo quanto os festejos da humanidade e não cai de moda mesmo com os progressos do homem.
Já se pode ouvir falar atualmente
na organização de diversas reuniões de amigos em ruas, garagens ou em quintais para
formar seus grupos matutos e arrasta-pés descontraídos. Será que todos estes
são saudosistas? Ou só querem novamente fazer voltar e sentir uma festa realmente
de participação popular e autêntica? Talvez seja uma resposta as excrescentes
modificações que foram impostas à cultura da região.
Sou simpatizante do
período junino nos moldes que aprendi ser legítimo, e creio que não seja apenas
meu, mas seu, de Pernambuco, do Brasil. Viva o mês de junho, viva São João e São
Pedro, nem que seja simplesmente na mente.
Eduardo Araújo
Eduardo Araújo
Da existência do Frevo e do Passo
Por Leonardo Dantas
No ano
passado foi a tentativa de criação de um chamado Frevo de Palco, quando melhor
se aplicaria a expressão já consagrada de Frevo Sinfônico, para justificar o
andamento e apresentação dos três vencedores na categoria de “Frevo de Rua” no
concurso da Prefeitura do Recife para 2011.
Agora surgem as opiniões da
dispensável presença do passista nas apresentações do frevo instrumental (!).
Seria um frevo só para ser
ouvido, assistido ordeiramente como se estivéssemos no Carnegie Hall de Nova
Iorque, nunca dançado (!)
Trata-se, segundo Guerra Peixe, de uma característica do frevo instrumental, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados, mas que cada um executa a sua maneira”.
Trata-se, segundo Guerra Peixe, de uma característica do frevo instrumental, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados, mas que cada um executa a sua maneira”.
Dentre os muitos gêneros do
frevo, o frevo-de-rua, é o de maior importância, pela sua identidade
coreográfica com o passo. É nele que o compositor vem demonstrar todo o seu
conhecimento musical, a sua forma de compor e de criar frases utilizando-se dos
metais (trombones, trompetes, tubas) em constante diálogo com as palhetas
(clarinetos, requinta, saxofones) de uma orquestra de ritmos carnavalescos.
Acompanhando o seu andamento e
fraseados, bem como os cantos e contracantos entre palhetas e metais, o
passista (dançarino do frevo) cria, no ato, a sua coreografia própria, sem,
contudo, agredir o que o compositor escreveu na pauta musical, segundo ensina
Guerra-Peixe, “é a única dança que o dançarino dança a orquestração”.
O frevo tem tantos passos quanto a inventiva do passista permitir, desde que sua coreografia venha obedecer ao andamento da orquestração da partitura que está sendo executada pela orquestra ou banda de música.
No passado, em 1976, em pesquisa realizada com os passistas “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), e Coruja (Arnaldo Francisco das Neves), este músico ritmista (pandeiro) e festejado passista do carnaval do Recife, relacionamos e catalogamos, em trabalho conjunto com a Prof. Jurandy Austermann, da Equipe do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco, 48 passos, sem contar com os do porta-estandarte, 21 dos quais foram detalhados na publicação Ritmos e Danças – Frevo 2, do mesmo Departamento(¹)
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
O festejado escritor Mário de Andrade (1893-1945), em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo instrumental sintetiza:
O frevo tem tantos passos quanto a inventiva do passista permitir, desde que sua coreografia venha obedecer ao andamento da orquestração da partitura que está sendo executada pela orquestra ou banda de música.
No passado, em 1976, em pesquisa realizada com os passistas “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), e Coruja (Arnaldo Francisco das Neves), este músico ritmista (pandeiro) e festejado passista do carnaval do Recife, relacionamos e catalogamos, em trabalho conjunto com a Prof. Jurandy Austermann, da Equipe do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco, 48 passos, sem contar com os do porta-estandarte, 21 dos quais foram detalhados na publicação Ritmos e Danças – Frevo 2, do mesmo Departamento(¹)
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
O festejado escritor Mário de Andrade (1893-1945), em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo instrumental sintetiza:
A vibração paroxística do frevo é realmente uma
coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro allegro num presto nacional. É,
sem dúvida, o entusiasmo, a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música
nacional. E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia
assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza!
Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória
que o país ignora, simplesmente porque entre nós são muito raros os que têm
verdadeira convicção de cultura.(²)
Daí a afirmativa de Capiba, em um
dos seus mais conhecidos frevos-canção:
Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
É maracatu, não!
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda
Quero ver dizer…
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda
Quero ver dizer…
É uma dança
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem! (³)
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem! (³)
Mas, para o folião endiabrado,
aquele que vê no frevo uma válvula de escape do extravasamento de sua alegria,
ou, como na receita de Luiz Bandeira, “quem é de fato um bom pernambucano,
espera um ano e se mete na brincadeira”, ficam os versos do poeta Austro Costa:
Não sei se devo, ou não devo
Dizer, mas digo afinal:
Se até Roma fosse o Frevo,
Teria a Bênção Papal!
___________________
1) DANTAS-SILVA, Leonardo.
Ritmos e danças – Frevo. Recife: Governo do Estado de Pernambuco; MEC –
FUNARTE, 1978. 44 p. il. Contém um disco com seis frevos-de-rua.
2) OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo,
capoeira e passo. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1971. p. 119.
3) CAPIBA. É frevo meu bem.
Frevo-canção. Continental nº 16322 matriz 2426. Carmélia Alves, orquestra e
coro, lançado em janeiro de 1951.
Leia alguns comentários sobre este texto na publicação do site Besta Fubana.
A DANÇA DE PERNAMBUCO
Publicado no site Besta Fubana.
Com o advento da abolição da escravatura negra
(1888), e o surgimento da República (1889), tornaram-se mais frequentes o
aparecimento de novos clubes carnavalescos, com todos os elementos integrantes
dos desfiles militares acrescidos da influência das procissões religiosas; como
é o caso do estandarte, uma cópia dos pendões das corporações profissionais e
das irmandades e confrarias, hoje símbolo quase da maior parte das agremiações
carnavalescas.
Oriundos de grupos profissionais de operários urbanos, os Clubes Carnavalescos Vassourinhas (1889), das Pás (1890), Lenhadores (1897), Pão Duro (1916), Toureiros de Santo Antônio (1916), Prato Misterioso (1919), além de outros mais recentes, chegaram até os nossos dias. Outros, porém, como Caiadores, Empalhadores, Operários, Jornaleiros, Suineiros, Quitandeiras, não mais existem.
As rivalidades entre as agremiações sempre foram uma constante no carnaval de Pernambuco. Com tal clima e elementos, os capoeiras, “brabos” e “valentões” passaram a praticar “exercícios de capoeiragem” em frente aos cordões carnavalescos - A Pimenta (1901). Tais exibições de capoeiragem quando nada redundavam em agressões, como a narrada pelo Jornal Pequeno, de fevereiro de 1907, em que foi vítima o diretor do Clube Carnavalesco Tome Farofa.
Procurando esconder-se das perseguições dos Chefes de Polícia, o nosso capoeira foi maneirando os seus passos - “rabos de arraia”, “pernadas”, “cabeçadas”, “pisões”, etc – criando assim uma coreografia própria de modo a acompanhar a “onda”. Nesta coreografia, onde não foi desprezada totalmente a agressividade, foram aparecendo passos que, por determinadas semelhanças, passaram a possuir denominações próprias.
O capoeira de ontem originou o passista de hoje: Camisa multicolorida, aberta no peito e amarrada na cintura, ou ainda camisa de malha com três cores; sapato tênis branco; bermuda ou calça arregaçada; chapéu de palha e um “chapéu-de-sol” desbotado a complementar a indumentária; bem dentro da descrição do nosso Capiba:
Oriundos de grupos profissionais de operários urbanos, os Clubes Carnavalescos Vassourinhas (1889), das Pás (1890), Lenhadores (1897), Pão Duro (1916), Toureiros de Santo Antônio (1916), Prato Misterioso (1919), além de outros mais recentes, chegaram até os nossos dias. Outros, porém, como Caiadores, Empalhadores, Operários, Jornaleiros, Suineiros, Quitandeiras, não mais existem.
As rivalidades entre as agremiações sempre foram uma constante no carnaval de Pernambuco. Com tal clima e elementos, os capoeiras, “brabos” e “valentões” passaram a praticar “exercícios de capoeiragem” em frente aos cordões carnavalescos - A Pimenta (1901). Tais exibições de capoeiragem quando nada redundavam em agressões, como a narrada pelo Jornal Pequeno, de fevereiro de 1907, em que foi vítima o diretor do Clube Carnavalesco Tome Farofa.
Procurando esconder-se das perseguições dos Chefes de Polícia, o nosso capoeira foi maneirando os seus passos - “rabos de arraia”, “pernadas”, “cabeçadas”, “pisões”, etc – criando assim uma coreografia própria de modo a acompanhar a “onda”. Nesta coreografia, onde não foi desprezada totalmente a agressividade, foram aparecendo passos que, por determinadas semelhanças, passaram a possuir denominações próprias.
O capoeira de ontem originou o passista de hoje: Camisa multicolorida, aberta no peito e amarrada na cintura, ou ainda camisa de malha com três cores; sapato tênis branco; bermuda ou calça arregaçada; chapéu de palha e um “chapéu-de-sol” desbotado a complementar a indumentária; bem dentro da descrição do nosso Capiba:
De chapéu-de-sol aberto
Pelas ruas, eu vou…
A multidão me acompanha…
Eu vou!…
Eu vou e venho, pra onde não sei
Só sei que carrego alegria,
Pra dar e vender!
Pelas ruas, eu vou…
A multidão me acompanha…
Eu vou!…
Eu vou e venho, pra onde não sei
Só sei que carrego alegria,
Pra dar e vender!
Três goles de cachaça, um “frevo rasgado” oriundo de
uma fanfarra, bastam para transmudar esse homem num demônio, que até parece
ter o “diabo no couro”, tal o número de complicados passos que passa a
fazer.
A exemplo de seus ancestrais, traz quase sempre um chapéu-de-sol na mão, alguns até sem pano (“sombrinhas borboletas”), como um remanescente do cacete ou da bengala dos tempos idos.
Quando nos cordões dos clubes ou troças, os passistas envergam um bastão encimado pelo distintivo da agremiação – machado, vassouras, pás, prato, ave, bacia, etc – dependendo pertencer ele ao Lenhadores, Vassourinhas, Pás Douradas, Prato Misterioso, Papagaio Falador ou Lavadeiras de Areias. Mas nos cordões o “passo rasgado” é raro, a coreografia obedece mais a uma evolução não dando margem a grandes criações; estas ficam por conta dos grupos e passistas, alguns especialmente contratados, que acompanham a agremiação.
Os passistas modernos, geralmente formando uma ala especial nas grandes agremiações, passaram a usar sombrinhas coloridas de 50 centímetros de comprimento por 60 de diâmetro, a fim de facilitar passos que são verdadeiras acrobacias: “vôo da andorinha”, “tesoura no ar”, “coice de burro”, “tesoura cruzando”, “canguru”, “tesoura passando a sombrinha”, “trem de ferro”, dentre outros.
Os chamados “Concursos de Passo”, desenvolvido pelos jornais e posteriormente pelas emissoras de rádio e televisão, vieram incentivar a criatividade dos passistas. Assim despontaram, chegando a fazer escola, Egídio Bezerra, hoje falecido, mas em sua época conhecido como o “Rei do Passo”, “Sete Molas”, “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), “Coruja”, (Arnaldo Francisco das Neves), que vieram a ser professores de “Pipoca”, Antúlio Madureira, “Meia-Noite” e tantos outros representantes da nova geração de passistas.
“No mar do frevo, cada peixinho nada de seu jeito” – diz com muita propriedade Luís da Câmara Cascudo, em depoimento pessoal, acrescentando: “Frevo, glória pernambucana, autêntico, positivo, real, nas músicas de sua dinâmica contagiante e mágica. No passo, cada bailarino executa ad libitum a reação mímica da interpretação pessoal. Música determinante de agilidades inesperadas, piruetas famosas, na sombra simbólica da sombrinhas borboletas”.
Este é segundo Guerra Peixe uma outra característica do frevo, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados , mas que cada um executa a sua maneira” (¹).
A afirmação do grande musicista fluminense, que por alguns anos pesquisou o Carnaval do Recife, porém, não se aplica a certos “professores”, “mestres” como se autodenominam, das escolas de passo dos nossos dias, mais para balé de teatro de revista do que mesmo para o verdadeiro passo pernambucano.
Empolgados com elogios dos desavisados, mequetrefes das mais caras e verdadeiras tradições do carnaval pernambucano, nem de longe acompanham a orquestração da partitura original, põem-se a dar pinotes, numa coreografia mais próxima da ginástica aeróbica de alto impacto, numa demonstração inconsequente de uma sucessão de falsas acrobacias, quando a orquestra está a executar um solo de requinta ou saxofones. Em tais demonstrações, numa total e absoluta heresia, chegam esses “mestres” a exibir passos característicos dos frevos-de-rua na parte vocal de um frevo-canção (!).
A exemplo de seus ancestrais, traz quase sempre um chapéu-de-sol na mão, alguns até sem pano (“sombrinhas borboletas”), como um remanescente do cacete ou da bengala dos tempos idos.
Quando nos cordões dos clubes ou troças, os passistas envergam um bastão encimado pelo distintivo da agremiação – machado, vassouras, pás, prato, ave, bacia, etc – dependendo pertencer ele ao Lenhadores, Vassourinhas, Pás Douradas, Prato Misterioso, Papagaio Falador ou Lavadeiras de Areias. Mas nos cordões o “passo rasgado” é raro, a coreografia obedece mais a uma evolução não dando margem a grandes criações; estas ficam por conta dos grupos e passistas, alguns especialmente contratados, que acompanham a agremiação.
Os passistas modernos, geralmente formando uma ala especial nas grandes agremiações, passaram a usar sombrinhas coloridas de 50 centímetros de comprimento por 60 de diâmetro, a fim de facilitar passos que são verdadeiras acrobacias: “vôo da andorinha”, “tesoura no ar”, “coice de burro”, “tesoura cruzando”, “canguru”, “tesoura passando a sombrinha”, “trem de ferro”, dentre outros.
Os chamados “Concursos de Passo”, desenvolvido pelos jornais e posteriormente pelas emissoras de rádio e televisão, vieram incentivar a criatividade dos passistas. Assim despontaram, chegando a fazer escola, Egídio Bezerra, hoje falecido, mas em sua época conhecido como o “Rei do Passo”, “Sete Molas”, “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), “Coruja”, (Arnaldo Francisco das Neves), que vieram a ser professores de “Pipoca”, Antúlio Madureira, “Meia-Noite” e tantos outros representantes da nova geração de passistas.
“No mar do frevo, cada peixinho nada de seu jeito” – diz com muita propriedade Luís da Câmara Cascudo, em depoimento pessoal, acrescentando: “Frevo, glória pernambucana, autêntico, positivo, real, nas músicas de sua dinâmica contagiante e mágica. No passo, cada bailarino executa ad libitum a reação mímica da interpretação pessoal. Música determinante de agilidades inesperadas, piruetas famosas, na sombra simbólica da sombrinhas borboletas”.
Este é segundo Guerra Peixe uma outra característica do frevo, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados , mas que cada um executa a sua maneira” (¹).
A afirmação do grande musicista fluminense, que por alguns anos pesquisou o Carnaval do Recife, porém, não se aplica a certos “professores”, “mestres” como se autodenominam, das escolas de passo dos nossos dias, mais para balé de teatro de revista do que mesmo para o verdadeiro passo pernambucano.
Empolgados com elogios dos desavisados, mequetrefes das mais caras e verdadeiras tradições do carnaval pernambucano, nem de longe acompanham a orquestração da partitura original, põem-se a dar pinotes, numa coreografia mais próxima da ginástica aeróbica de alto impacto, numa demonstração inconsequente de uma sucessão de falsas acrobacias, quando a orquestra está a executar um solo de requinta ou saxofones. Em tais demonstrações, numa total e absoluta heresia, chegam esses “mestres” a exibir passos característicos dos frevos-de-rua na parte vocal de um frevo-canção (!).
É demais!
O frevo tem tantos passos quanto a inventiva do
passista permitir, desde que sua coreografia venha obedecer ao andamento da
orquestração da partitura que está sendo executada pela orquestra ou banda de
música. No passado, em 1976, em pesquisa realizada com o próprio
“Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), ainda na sua pureza de
artista popular, e Coruja (Arnaldo Francisco das Neves), este músico
ritmista (pandeiro) e festejado passista do carnaval do Recife, relacionamos e
catalogamos, em trabalho conjunto com a Prof. Jurandy Austermann, da
Equipe do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado
de Pernambuco, 48 passos, sem contar com os do porta-estandarte, 21 dos
quais foram detalhados na publicação Ritmos e Danças – Frevo 2, do mesmo
Departamento (²)
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
Mário de Andrade, em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo sintetiza:
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
Mário de Andrade, em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo sintetiza:
A vibração paroxística do frevo é realmente uma
coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro allegro num presto nacional. É,
sem dúvida, o entusiasmo, a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música
nacional. E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia
assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza!
Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória
que o país ignora, simplesmente porque entre nós são muito raros os que têm
verdadeira convicção de cultura (³)
Daí a afirmativa de Capiba, em um dos seus mais conhecidos frevos-canção:
Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
É maracatu, não!
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda, não!
Quero ver dizer…
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda, não!
Quero ver dizer…
É uma dança
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem!
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem!
_______________
1) GUERRA-PEIXE, César. art. cit.
2) SILVA, Leonardo Dantas. Ritmos e danças –
Frevo. Recife: Governo do Estado de Pernambuco; MEC – FUNARTE, 1978. 44 p. il.
Contém um disco com seis frevos-de-rua.
3) OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo.
Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1971. p. 119.
Oficina de montagem e conserto de sombrinhas
Domingo passado (dia 20), realizou-se na sede dos Guerreiros do Passo mais uma oficina de conserto e montagem de sombrinhas de frevo. O trabalho visa restaurar e recuperar os utensílios das aulas, usando peças e sombrinhas quebradas arrecadadas no Projeto desenvolvido na Praça do Hipódromo, e que ainda podem
ser reutilizadas para a remontagem de outras ou compor
partes fundamentais na estrutura das mesmas.
O que para muita gente é descartável, para nós é a maneira que encontramos de manter em dia os instrumentos básicos das aulas, já que a compra de sombrinhas novas torna-se inviável na atual realidade do grupo. Com a iniciativa, evita-se que materiais plásticos, madeira e ferro sejam jogados rapidamente na natureza, preservando o meio ambiente e conservando um hábito herdado do Mestre Nascimento do Passo. Participaram da oficina, o professor Gil Silva, Lucélia Albuquerque, Daniele Costa e Eduardo Araújo.
O que para muita gente é descartável, para nós é a maneira que encontramos de manter em dia os instrumentos básicos das aulas, já que a compra de sombrinhas novas torna-se inviável na atual realidade do grupo. Com a iniciativa, evita-se que materiais plásticos, madeira e ferro sejam jogados rapidamente na natureza, preservando o meio ambiente e conservando um hábito herdado do Mestre Nascimento do Passo. Participaram da oficina, o professor Gil Silva, Lucélia Albuquerque, Daniele Costa e Eduardo Araújo.
O HOMEM DO ACERVO
Publicado no DIARIO de PERNAMBUCO em 20 de maio de 2012.
Pesquisador Leonardo Dantas guarda em casa mais de 500 vinis, a maioria de música pernambucana, além de livros de frevo e forró
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| Imagem: NANDO CHIAPPETTA/DP/D. |
Abrindo
sobre a mesa de jacarandá um dos livros que editou sobre a história do
Recife, o jornalista e pesquisador Leonardo Dantas aponta para uma foto
do bairro da Torre, na Zona Oeste da cidade. Mostra a Igreja, a casa
espaçosa, uma chaminé. Tudo cercado por mato. A foto é de 1980 e nesses
mais de 30 anos tudo mudou ao redor. A vegetação deu lugar às ruas, à
praça e às casas - que já estão virando passado, substituídas por
edifícios altos. Leonardo Dantas resiste. Mora na mesma casa em que
nasceu, a poucos metros da igreja da Torre. Os cômodos são abarrotados
de quadros, esculturas, móveis antigos e livros. Ele já editou 377
livros, sendo 47 escritos ou organizados por ele. Sete são sobre a
música pernambucana.
Mais conhecido como pesquisador da história da cidade, Leonardo Dantas tem um currículo extenso em 50 anos de trabalho. Entrou para o jornal Diário da Noite aos 16 anos, como revisor. Passou mais de 20 anos nas redações. Foi o criador do Frevança e do extinto Baile da Saudade, que ocorreu por 18 carnavais no Clube Português. Dirigiu a editora Massangana e produziu discos para a Rozenblit. Fez amizades para a vida toda no meio artístico. Claudionor Germano, de 80 anos, é considerado um irmão. “Quando tive problemas de saúde, quem estava do meu lado no hospital, às 5h da manhã, era ele”, conta.
O frevo é sua grande paixão musical. Na juventude, era um bom passista. Chegou a escrever um livro detalhando o método da dança do frevo, para ser utilizado em escolas da rede pública. “Fiz um projeto para retirar o balé das escolas e colocar frevo, maracatu, caboclinho. Foi uma polêmica”, lembra. Nos móveis em que guarda seus mais de 500 LPs há preciosidades quase intactas como álbuns de Capiba autografados e um bom material de música brasileira lançado por empresas de vida curta, como o selo Marcus Pereira Discos.
Tem LPs dos irmãos Raul e João Valença, de Levino Ferreira - que foi seu professor de teoria musical e a quem considera o maior compositor de frevo de rua -, coletâneas de cultura popular e o primeiro disco com gravações ao vivo de frevo, feito em 1980 no Teatro de Santa Isabel. Entre os inúmeros livros, uma cópia de O sanfoneiro do Riacho da Brígida, de Sinval Sá, com dedicatória “ao bom amigo-conterrâneo Leonardo Silva”, assinada por Luiz Gonzaga. (Ele deixou de assinar “Leonardo Silva” quando um criminoso como esse nome apareceu nos jornais).
Apesar do amor ao frevo e à música, Leonardo Dantas não toca nenhum instrumento. “Eu estudava com Levino Ferreira e aí ele disse que eu tinha que comprar um piano. Eu disse que não podia, ele retrucou que comprasse pelo menos um clarinete. Fui à loja e falei ao meu pai o preço de três contos e quinhentos. Ele respondeu: ‘isso é quanto teu pai ganha em um mês!’”. No final da tarde da quarta passada, Leonardo recebeu o Diario em casa para uma conversa. Foram quase três horas que correram fácil, em meio a lembranças e projeções. O carnaval foi tema constante. Confira. (Carolina Santos)
Mais conhecido como pesquisador da história da cidade, Leonardo Dantas tem um currículo extenso em 50 anos de trabalho. Entrou para o jornal Diário da Noite aos 16 anos, como revisor. Passou mais de 20 anos nas redações. Foi o criador do Frevança e do extinto Baile da Saudade, que ocorreu por 18 carnavais no Clube Português. Dirigiu a editora Massangana e produziu discos para a Rozenblit. Fez amizades para a vida toda no meio artístico. Claudionor Germano, de 80 anos, é considerado um irmão. “Quando tive problemas de saúde, quem estava do meu lado no hospital, às 5h da manhã, era ele”, conta.
O frevo é sua grande paixão musical. Na juventude, era um bom passista. Chegou a escrever um livro detalhando o método da dança do frevo, para ser utilizado em escolas da rede pública. “Fiz um projeto para retirar o balé das escolas e colocar frevo, maracatu, caboclinho. Foi uma polêmica”, lembra. Nos móveis em que guarda seus mais de 500 LPs há preciosidades quase intactas como álbuns de Capiba autografados e um bom material de música brasileira lançado por empresas de vida curta, como o selo Marcus Pereira Discos.
Tem LPs dos irmãos Raul e João Valença, de Levino Ferreira - que foi seu professor de teoria musical e a quem considera o maior compositor de frevo de rua -, coletâneas de cultura popular e o primeiro disco com gravações ao vivo de frevo, feito em 1980 no Teatro de Santa Isabel. Entre os inúmeros livros, uma cópia de O sanfoneiro do Riacho da Brígida, de Sinval Sá, com dedicatória “ao bom amigo-conterrâneo Leonardo Silva”, assinada por Luiz Gonzaga. (Ele deixou de assinar “Leonardo Silva” quando um criminoso como esse nome apareceu nos jornais).
Apesar do amor ao frevo e à música, Leonardo Dantas não toca nenhum instrumento. “Eu estudava com Levino Ferreira e aí ele disse que eu tinha que comprar um piano. Eu disse que não podia, ele retrucou que comprasse pelo menos um clarinete. Fui à loja e falei ao meu pai o preço de três contos e quinhentos. Ele respondeu: ‘isso é quanto teu pai ganha em um mês!’”. No final da tarde da quarta passada, Leonardo recebeu o Diario em casa para uma conversa. Foram quase três horas que correram fácil, em meio a lembranças e projeções. O carnaval foi tema constante. Confira. (Carolina Santos)
Centenário de Luiz Gonzaga
Concordo com todas as homenagens ao seu centenário. Tudo que fizerem por ele é merecido. Acho que falta mais pesquisa sobre a obra e a vida de Luiz Gonzaga. O livro da francesa Dominique Dreyfuss (Vida de Viajante, editora 34) foi construído a partir de vários depoimentos dele, mas não aborda a discografia. Os pesquisadores estrangeiros vêm atrás de documentos, mas eu acho que ainda está faltando uma biografia completa para Gonzaga. Você pega o livro de José Mário Austregésilo (Luiz Gonzaga, o homem, sua terra e sua luta, editora da Fundação de Cultura Cidade do Recife) e tem letras erradas. Luiz Gonzaga merece tudo, mas foi perseguido por ser considerado de direita. E por ser de direita, foi soterrado. Quem levantou Luiz Gonzaga foi Carlos Imperial ao inventar o boato, na década de 1970, de que os Beatles iam gravar Asa branca.
Luiz Gonzaga, o homem
Conheci Luiz Gonzaga nas redações, nas rádios. Ele era um cara que não imaginava o valor que tinha. Era um imediatista. Não estava interessado no futuro, mas em ganhar o dinheirinho dele naquele momento. Agora esse dinheirinho era em cima de um caminhão, na esquina, em qualquer lugar. Era um sujeito autêntico e muito bom. Sempre incentivou quem vinha atrás. Marinês, Zé Calixto, Dominguinhos, Quinteto Violado, todo mundo é cria dele. A casa dele no Rio de Janeiro era uma hospedaria. Acompanhei o início do romance dele com Edelzuíta. Ela trabalhava numa firma de empréstimo perto do Diario. Gonzaga era apaixonado por ela. Foi um amor de velhice. Me lembro da briga de Helena com Luiz Bandeira. Bandeira fez Fulô da marvilha quando estava começando o caso de Gonzaga com Edelzuíta e Helena dizia que Bandeira tinha feito a música de encomenda de Gonzaga para Edelzuíta.
Parceria com Capiba
Gonzaga dava o mote e o compositor fazia a música e depois ele assinava em parceria. Gonzaga diz que Zédantas já chegou no hotel dele cantando umas músicas. Então já tinha melodia e letra! Ele colocou o nome na parceria com a música pronta. Já Capiba fez Engenho Massangana e Gonzaga queria assinar também, para gravar. Capiba, vaidoso do jeito que era, não aceitou.
Política cultural
Quem vem depois faz o possível para acabar o que você fez e fazer outra coisa. Eu digo que a primeira coisa que um chefe faz é mudar a arrumação dos móveis e colocar uma placa dizendo que foi ele quem arrumou. Não há continuidade nas políticas de cultura. Do que eu fiz, a oficina de luteria, que poderia estar com pessoas formadas para consertar instrumentos, não existe. O projeto Espiral foi extinto também - a Orquestra Cidadã é uma reedição dele. Não existe programa editorial na prefeitura. O que a prefeitura publicou? O que o estado publicou? Nada, nada.
Carnaval de palco
É uma desgraça, acabou o carnaval. Eu resolveria aquilo ali de uma forma simples. Transformaria o Marco Zero em grande baile. Com dois palcos, mais baixos - para que aquele palco tão alto? - um na ponta e outro na outra e as atrações se cruzavando. A música não parava. Porque se passa 1h40 para assistir uma Maria Gadú que não sabe nada. Ou uma “Zefa do Pifo”, Zeca Baleiro… o que esse povo canta de carnaval? Você podia pegar esse povo todo e diluir durante o ano. Tinha festa o ano todo. E no carnaval colocava os ritmos carnavalescos. Esse ano colocaram uma orquestra local para abrir cada dia e elas é que esquentavam, depois era aquela monotonia…
Frevo moderno
Concordo com todas as homenagens ao seu centenário. Tudo que fizerem por ele é merecido. Acho que falta mais pesquisa sobre a obra e a vida de Luiz Gonzaga. O livro da francesa Dominique Dreyfuss (Vida de Viajante, editora 34) foi construído a partir de vários depoimentos dele, mas não aborda a discografia. Os pesquisadores estrangeiros vêm atrás de documentos, mas eu acho que ainda está faltando uma biografia completa para Gonzaga. Você pega o livro de José Mário Austregésilo (Luiz Gonzaga, o homem, sua terra e sua luta, editora da Fundação de Cultura Cidade do Recife) e tem letras erradas. Luiz Gonzaga merece tudo, mas foi perseguido por ser considerado de direita. E por ser de direita, foi soterrado. Quem levantou Luiz Gonzaga foi Carlos Imperial ao inventar o boato, na década de 1970, de que os Beatles iam gravar Asa branca.
Luiz Gonzaga, o homem
Conheci Luiz Gonzaga nas redações, nas rádios. Ele era um cara que não imaginava o valor que tinha. Era um imediatista. Não estava interessado no futuro, mas em ganhar o dinheirinho dele naquele momento. Agora esse dinheirinho era em cima de um caminhão, na esquina, em qualquer lugar. Era um sujeito autêntico e muito bom. Sempre incentivou quem vinha atrás. Marinês, Zé Calixto, Dominguinhos, Quinteto Violado, todo mundo é cria dele. A casa dele no Rio de Janeiro era uma hospedaria. Acompanhei o início do romance dele com Edelzuíta. Ela trabalhava numa firma de empréstimo perto do Diario. Gonzaga era apaixonado por ela. Foi um amor de velhice. Me lembro da briga de Helena com Luiz Bandeira. Bandeira fez Fulô da marvilha quando estava começando o caso de Gonzaga com Edelzuíta e Helena dizia que Bandeira tinha feito a música de encomenda de Gonzaga para Edelzuíta.
Parceria com Capiba
Gonzaga dava o mote e o compositor fazia a música e depois ele assinava em parceria. Gonzaga diz que Zédantas já chegou no hotel dele cantando umas músicas. Então já tinha melodia e letra! Ele colocou o nome na parceria com a música pronta. Já Capiba fez Engenho Massangana e Gonzaga queria assinar também, para gravar. Capiba, vaidoso do jeito que era, não aceitou.
Política cultural
Quem vem depois faz o possível para acabar o que você fez e fazer outra coisa. Eu digo que a primeira coisa que um chefe faz é mudar a arrumação dos móveis e colocar uma placa dizendo que foi ele quem arrumou. Não há continuidade nas políticas de cultura. Do que eu fiz, a oficina de luteria, que poderia estar com pessoas formadas para consertar instrumentos, não existe. O projeto Espiral foi extinto também - a Orquestra Cidadã é uma reedição dele. Não existe programa editorial na prefeitura. O que a prefeitura publicou? O que o estado publicou? Nada, nada.
Carnaval de palco
É uma desgraça, acabou o carnaval. Eu resolveria aquilo ali de uma forma simples. Transformaria o Marco Zero em grande baile. Com dois palcos, mais baixos - para que aquele palco tão alto? - um na ponta e outro na outra e as atrações se cruzavando. A música não parava. Porque se passa 1h40 para assistir uma Maria Gadú que não sabe nada. Ou uma “Zefa do Pifo”, Zeca Baleiro… o que esse povo canta de carnaval? Você podia pegar esse povo todo e diluir durante o ano. Tinha festa o ano todo. E no carnaval colocava os ritmos carnavalescos. Esse ano colocaram uma orquestra local para abrir cada dia e elas é que esquentavam, depois era aquela monotonia…
Frevo moderno
Se
eles fazem um frevo para dançar, tudo bem. Mas se eles querem fazer
demonstração de jazz, não dá. Tem até músicas de Chico Science que o
povo vem abaixo. Mas quando você faz variações como aquele show de
Lenine (na abertura do carnaval de 2011, em homenagem às mulheres), não
leva a nada. Fica um olhando pra lá, outro pro palco. Um grupinho que
curte canta aquelas músicas, o resto fica só olhando. Mas você coloca um
Duda, um Ademir Araujó, ou o próprio maestro Forró, e o Marco Zero vem
abaixo. O carnaval sempre foi multicultural. Já no século 19 tinha
maracatu, frevo, todas as diferentes manifestações, inclusive de etnia.
Não é novidade nenhuma, apenas deram esse nome bonitinho, feito em
agência. Todas essas atrações já vêm num pacotinho pronto para cá. Essa
história de homenagear as mulheres já veio pronta. Eu não vejo a cultura
só para homem, para mulher, para gay. Vejo cultura como uma coisa só.
Diversidade
Você não vê uma orquestra de frevo tocando no São João. Isso nunca aconteceu porque carnaval é carnaval, São João é São João. Agora, “dona Zefa do pife” tem que tocar no carnaval e no São João porque é multicultural! Alguém está ganhando comissão. As orquestras e agremiações que desfilaram no carnaval ainda não foram pagas. Algumas estão esperando até o dinheiro do São João passado. Abanadores do Arruda e Coqueirinhos de Beberibe ainda não receberam.
Diversidade
Você não vê uma orquestra de frevo tocando no São João. Isso nunca aconteceu porque carnaval é carnaval, São João é São João. Agora, “dona Zefa do pife” tem que tocar no carnaval e no São João porque é multicultural! Alguém está ganhando comissão. As orquestras e agremiações que desfilaram no carnaval ainda não foram pagas. Algumas estão esperando até o dinheiro do São João passado. Abanadores do Arruda e Coqueirinhos de Beberibe ainda não receberam.












